Era o segundo dia de casado do meu irmão. Como esperado, domingo era o dia de um prato “pesado”, especial para exagerarmos. As dez da manhã a preparação parecia fantástica. Ao meio dia, a fome dava uma aparência ainda melhor para o que estava sendo feito. As duas da tarde, três caminhões já tinham descarregado farinha na casa dele. Isso mesmo: farinha! Ela estava colocando tanta farinha no nhoque, que até a farinha que já estava nele recusava mais farinha. O pó de farinha que subia do balcão, não era daqueles clássicos movimentos de “chefs” que pegam uma porção mínima de farinha com três dedos e delicadamente solta sobre a comida. Era a própria farinha assoprando o excedente!
A fim de deixar claro que não estou exagerando sobre a quantidade de farinha que ela colocou, vou ressaltar alguns pontos:
- Toda vez que eu ouvia um barulho de tosse, eu desconfiava que era uma fatia de massa de nhoque se engasgando com a farinha
- Algumas “bolinhas” de nhoque pareciam estar vestindo dois agasalhos de lã
- Nem a farinha nem o nhoque acreditavam que ela estava colocando mais farinha na receita.
- Tinha farinha desempregada na situação.
- A própria farinha já estava absorvendo farinha.
- Toda hora que você ia enfiar o garfo nele, o garfo desviava e acertava o prato. Havia um certo coro musical formado pelo barulho dos talheres batendo no prato. “Tim, tim, tiiim! Timtim, tim, tiiim!”
- Para que isso não acontecesse toda vez, era necessário mirar bem, o que normalmente me fazia sentir como um nativo pegando peixe com a lança.
- Era possível saber que outra pessoa já estava mastigando o nhoque ao ver seus olhos lacrimejando.
- Separar dois ou mais nhoques grudados só com o auxílio de picareta.
- Mastigar o prato parecia menos doloroso.
- Se no dia seguinte eu tivesse um exame de raio-x marcado, certamente o médico levantaria a suspeita de pedra nos rins.
- O nhoque parecia blindado.
- Amassar uma caixa-preta de avião seria um desafio aceitável depois de comer.
- “Hum... nunca comi um nhoque tão consistente”, significa: “Hum... nunca comi um nhoque tão duro!”
- “Seu molho ficou bastante leve”, significa: “A farinha absorveu todo o molho, né?”
- “Amor, tá uma delícia, viu?”, significa: “Se eu comer isso a vida inteira, já quero o divórcio.”
- “Só para eu não errar quando for fazer, quanto de farinha você colocou?”, significa: “Eu nunca vou errar!”
- “Huum. Já estou pensando quando vai fazer de novo”, significa: “Não vou vir para casa nesse dia.”
- “Eu nunca comi um nhoque assim!”, significa: “Eu nunca comi um nhoque assim!”
Realmente... esse foi o pior nhoque da minha vida.

Adoooooro mulher q quer se livrar do marido, logo após o casório!... Só nao me diz que o divórcio se deu após os quatro dias de comilança da iguaria!
ResponderExcluirÉ por isso que eu não sei cozinhar e nem quero saber. Quem quer bem feito, faz; não manda, né não?
ResponderExcluirQuem sabe o macho alpha da casa não teria feito um nhoque melhor...
A pobrezinha se mata na cozinha pra agadar o marido e a família dele pra ainda vir um tal de Gustavo passar 3 dias rindo enquanto escreve o post sobre o pior nhoque do mundo.
ai ai