Carnaval - uma pequena pausa
20.2.09
Por Gustavo Scussel em Fugindo do assunto

É carnaval e, como resultado, estou saindo de viagem. Eu tinha alguns posts programados para serem postados enquanto estivesse viajando, mas desativei eles hoje. É provável que tenha feito isso não só por que tenho gostado de comentar nos blogs que freqüento como também gosto de ler e talvez responder aos comentários que recebo. Dessa forma, até o dia dois de março não estarei ativo na blogosfera. De qualquer maneira, gostaria de ressaltar alguns detalhes para o carnaval.
- Aproveite com moderação. Se você acordar numa banheira gelada, não beba a água dela - você vai ter a sensação de que alguma coisa lhe foi tomada em breve.
- Um chocolate pode salvar sua vida.
- Não coloque a vida de outras pessoas em risco dirigindo sem responsabilidade.
- Use camisinha. Nós sabemos que elas não vão se usarem sozinhas, por mais bêbado e/ou fora do estado que você esteja.
- Lembre-se: se beber, todo mundo fica bonito.
Bom carnaval para todos.
É hora de levantar
18.2.09
Por Gustavo Scussel em Rapidinhas

Com toda a certeza, quem tem dois relógios raramente sabe a hora certa. Entretanto, ter um celular para despertar e acordar é melhor do que não ter nenhum e perder os dois horários. Já estava acordado poucos minutos antes do celular despertar quando a bateria do mesmo acabou. Como de costume, fui atender as necessidades matinais e fiquei sentado por ali, no banheiro, enrolando. Inesperadamente e, aos berros do volume quase máximo, o celular começou:
- É hora de levantar. São oito horas e dez minutos. É hora de levantar.
- Ah, não é mesmo! Principalmente agora!
Com efeito (coincidência, na verdade), o celular cessou o despertador. No exato momento em que voltei a relaxar, o despertador voltou, dessa vez no volume máximo:
- É hora de levantar. São oito horas e doze minutos. É hora de levantar.
- Ah, não. Dois minutos, só? Eu me rendo...
Eu respondi isso mesmo?
16.2.09
Por Gustavo Scussel em Fugindo do assunto

Decerto a Luca irá ficar surpresa ao me ver respondendo a um meme. De fato, não seria para menos a reação dela. De qualquer maneira, eu gosto da idéia de alguns memes, como esse, por exemplo. Responder à eles faz com que alguns leitores conheçam mais alguns detalhes sobre a pessoa que escreve aqui. Então, aqui vou eu!
1. A última pessoa com quem falou hoje: Minha mãe, o que não é raro, já que não costumo acordar muitas vezes fora de casa.
2. A última coisa que falou: “Claro! Mas prefiro o 'não'”, logo depois que ela perguntou, “Gustavo, faz um favor para mim?”
3. O último pensamento: “Esse silêncio me obriga a dizer que é brincadeira...”
4. A última pessoa com quem brigou: Meu irmão. Com toda a certeza não é uma coisa que acontece com freqüência, mas ocasionalmente não consigo desconsiderar os genes que obrigam todos os irmãos à brigarem entre si.
5. A última pessoa com quem se reconciliou: Provavelmente alguém que pedi desculpas por ter feito “bullying” no colégio. Contudo não consigo me lembrar da última pessoa em particular, já que a lista não é pequena.
6. A última pessoa que falou de Deus pra você: Minha mãe, em quase 60% do tempo. “Mãe, conheci uma menina interessante hoje.” Ela: “Ai, meu Deus.” “Mãe, é o seguinte...” Ela: “Ai, meu Deus.” “Nossa, esqueci de ligar para a Renata!” Ela: “Ai, meu Deus.”
7. O último lugar que você gostaria de estar: Em casa. Será que alguém responderia diferente?
8. O último filme a que assistiu: “Perigo em Bangkok” (clique aqui e veja o trailer no YouTube). O final desse filme é um tipo que me agrada, ao contrário da opinião majoritária das outras pessoas. Ele é voltado especialmente para a decisão que o personagem é capaz de tomar como qualquer outra pessoa, fugindo de finais feitos para conseguir aprovação total.
9. O último livro que leu ou que está lendo: “Predictably Irrational” (clique aqui e veja o livro na Saraiva). Eu tenho um apreço inegável por livros de psicologia e esse não foge à regra. O foco desse livro é mostrar que todos nós basicamente temos “furos” de raciocínio – provocados pelas nossas emoções, padrões sociais, expectativas, etc. – que nos induzem a fazer escolhas previsíveis, muitas vezes irracionalmente.
10. O último presente que ganhou: Constantemente eu ganho presentes, o que me faz confundir hora ou outra qual foi o último exatamente. O box da quinta temporada da série “Friends” sem dúvida não foi o último, mas dos mais recentes, foi o que me deixou instantaneamente mais feliz. Presente do meu irmão.
11. A última coisa que gostaria de estar fazendo: Se eu disser algum dia alguma coisa diferente de “à toa”, estarei mentindo. Mas eu gostaria de estar trabalhando. Percebeu? Isso é mentira.
12. O último telefonema feito ou atendido no seu celular ou telefone: Quanto à última ligação feita, foi para uma amiga no sábado convidando ela para fazer alguma coisa. Quanto à última ligação recebida, não me lembro de quem foi, mas posso dizer que ainda estou traumatizado de telefone e celular em virtude de uma série de ligações incessantes que recebi de uma única pessoa há algum tempo. Apesar do trauma, aprendi uma coisa: mulheres se tornam uma ameaça quando têm bônus ilimitados no celular.
13. O último conselho que deu e pra quem deu: Não sou de dar conselhos, à menos que me peçam. As pessoas têm o péssimo hábito de acharem que todo mundo precisa de conselhos. Na maioria das vezes, as pessoas só precisam de alguém para escutá-las.
14. A última vez que chorou e por que: Não acredito que estou prestes a contar isso. Antes que o leitor pense numa relação temporal atual, vou adiantar que eu não tinha mais de quatorze anos. Pois bem: qual foi a última vez que chorei e porquê? Foi quando eu estava sem recursos verbais para fazer minha mãe acreditar que eu não estava usando drogas, já que eu estava começando a evitar programas sociais para ficar sozinho. Chorar e falar “você não confia em mim” não mudou a opinião dela, mas tive que assumir no quê eu estava viciado de verdade: filmes pornô.
15. O que faria hoje se fosse seu último dia de vida: Gostaria de estar trabalhando. Percebeu? Mentira de novo.
De acordo com a regra básica dos memes, estou repassando o meme para a Lívia Brito, Israel e a Gabriela Gomes. Eu colocaria também para o Thyago Polary e a Natália, mas vi que a Luca já passou para eles.
Você ainda vai comer isso?
11.2.09
Por Gustavo Scussel em Rapidinhas

É provável que todo vegetariano, naturalmente, tente fazer você se juntar à causa deles. Eles não apenas tentam te convencer através da piedade (“Era só um pintinho...”, eu sei, mas com molho ficou ótimo!) como também o tentam te fazer sentir culpado por comê-los. Ao pegar meu lanche e me sentar numa rede de fast-food, uma amiga vegetariana perguntou com horror nos olhos:
- Gustavo, você já foi vegetariano! Isso era um animal. Aliás: ainda é um animal. Você ainda vai comer isso?
- Claro. Desde que ele não grite.
Essa roupa não te serve mais?
9.2.09
Por Gustavo Scussel em Rapidinhas

Embora haja um cômodo específico na casa para depositar tudo que vai ser doado ou jogado fora, algumas pessoas sempre vão verificar a veracidade desse item estar ali mais de uma vez. Ao acordar, o marido da minha mãe logo veio se certificar comigo sobre uma peça de vestuário:
- Gustavo, me responde uma coisa: essa roupa não te serve mais? Por que eu acabei de experimentar e sobrou manga até nos meus braços.
- O problema é na barriga. Eu não quero parecer mulherzinha de prisioneiro com ela.
Aquele na sala de cursinho
2.2.09
Por Gustavo Scussel em Aqueles

Popularmente conhecido como cursinho, o curso preparatório ao vestibular é um tipo de curso realizado por estudantes do Ensino Médio que estão prestes a prestar vestibular ou, por qualquer indivíduo que deseja submeter-se a tal prova. Tendo em vista isso, a primeira impressão que o cursinho lhe passa é completamente diferente da realidade. Em questão de semanas, fica claro que nem todos os dias serão sérios e que nem todos os alunos são pessoas normais que apenas tiveram pouca sorte no vestibular anterior.
Com toda certeza o tipo mais comum de aluno de cursinho é o egocêntrico. Essencialmente, é a pessoa que acha que o ar condicionado só pode ser ligado se apenas ela estiver com calor ou que a janela aberta é fruto da escolha dela, e não de uma decisão coletiva. Sentado no fundo da sala e sentindo frio junto à alguns amigos, concordamos em fechar a janela que estava ao meu lado. Logo depois de tê-la fechado, uma menina se levanta e a abre, sem nenhum motivo aparente. Imediatamente um amigo se levanta e a fecha novamente. Por fim, cinco minutos depois, a menina se levanta inquieta e avisa, já abrindo a janela:
- Não dá, gente. Está muito abafado aqui dentro.
A fim de evitarmos uma discussão e em posse da palavra-chave, começo a conversar com um amigo sentado ao lado dela:
- Ei, você vai na casa daquela menina esse final de semana?
- Não sei, estou meio desanimado de ir lá.
- Você desanimou do nada ou é por que lá é meio... abafado?!
A risada foi imediata, e o compreendimento da piada começou a ser utilizado por outros. O mesmo amigo, após ouvir uma tosse minha, comenta:
- Esse tempo, hein? Parece que o pulmão fica meio... abafado.
Salvo a implicância fosse apenas nossa, tudo poderia correr bem para ela. Uma amiga dela puxou conversa comigo contando uma novidade, quando eu comentei desviando o rosto:
- Poxa, difícil acreditar que isso aconteceu mesmo. Mas... abafa o caso!
Não apenas é possível identificar esse tipo de aluno de cursinho como também é possível descobrir facilmente numa conversa quem se sai mal numa prova de interpretação de texto. Um amigo estava fazendo propaganda de uma festa para outra amiga, quando no final ele comentou:
- Se você for, compra de mim, tá?
Como quem leva um tapa no rosto e não sabe o que está acontecendo, ela reagiu com surpresa e dúvida:
- Ah! Você está vendendo?!
Do mesmo modo que alguém entende que a pessoa perguntou besteira e sabe que um amigo tem uma piada para o momento, ele voltou seu rosto para mim e esperou. Olhei para cima, como se estivesse tentando montar um quebra-cabeça e indaguei:
- Meu Deus! O que será que você falou de errado?
É provável que o curioso seja outro tipo de aluno de destaque no cursinho. Como resultado de sua personalidade, é comum que ele deixe suas atividades de lado para conferir o que toma tanta atenção do amigo sentado próximo à ele. Coagido pela vontade de saber o que sugava o foco do amigo ao meu lado, me inclinei para ver o que ele estava fazendo. Instantaneamente e olhando apenas pela lateral do olho, ele disse:
- Espero que você não esteja tentando olhar o que eu estou fazendo.
- Eu espero o mesmo.
Por ventura poucas salas de cursinho têm a oportunidade de presenciarem uma discussão, seja por que os alunos não parecem ter tamanha falta de intuição social seja por que o professor não deixaria. Um amigo estava discutindo com outra menina, quando ela se aproveitou de uma piada preconceituosa e generalizadora para ganhar vantagem:
- E aí, você ainda continua trabalhando na borracharia?
Com a sala toda rindo e procurando uma contra-resposta, meu amigo é influenciado pela minha idéia e retruca:
- Porquê? Você está querendo ir lá fazer uns remendos nos seus pneus?
Dessa forma fica claro que, apesar de ser um curso preparatório ao vestibular, há não só pessoas despreparadas mas também completamente deslocadas do propósito do cursinho, que alteram a impressão real de uma sala desse nível.
