Aquele com toda relatividade
10.3.08
Por Gustavo Scussel em Aqueles

Como conseqüência da compreensão progressiva de que dois referenciais diferentes oferecem visões perfeitamente plausíveis, o princípio da relatividade foi surgindo ao longo da história da filosofia e da ciência. Dessa forma comparamos tudo à nossa volta com padrões de relatividade. De fato, tudo é relativo.
Freqüentemente tenho programas nutricionais com amigos. Em virtude de tantos encontros é comum procurar lugares novos. Está claro que nem sempre conseguimos os melhores estabelecimentos. No último encontro com alguns amigos e amigas, saímos para procurar um restaurante aonde pudéssemos comer camarão. Enquanto conversávamos, nossos pratos chegaram. A fim de deixar clara minha surpresa, reclamei ironicamente:
- Ah não! Eles nunca mandam meu prato com o tempero certo. Só três fios de cabelo? Ou eu peço por uma tesoura ou terei que trocar meu prato.
Sem dúvida todos entenderam minha intenção, entretanto um amigo cortou com efeito as risadas:
- Não acredito que vai pedir para trocar seu prato por causa de três fios de cabelo.
- Claro que vou. Três fios de cabelo no meu prato é muito. Na minha cabeça é pouco. Na sua cabeça seria muito. É relativo.
Números sempre envolveram relatividade. Se você conta uma única piada, todos irão elogia-la. Se você conta uma série de piadas, você é relativamente engraçado. Desde pequeno números influenciam a relatividade e você estará preocupado com eles na maior parte do tempo. Embora estejamos acostumados com isso, nunca pergunte a uma mulher quantos parceiros sexuais ela já teve. As pessoas dizem “nunca diga nunca”, porém nesse caso, nunca pergunte. Agradeça por estar com ela agora e nada mais. Se por ventura perguntar, prepare-se. Independente do número que ela disser, não importa qual, será muito para você. Você vai começar a oscilar entre gritos e reflexões em voz baixa:
- Dois?! Dois? Eu não acredito... dois? Ai meu Deus... dois?! É... deve ter sido essa a sua criação mesmo.
Não é certo, mas provavelmente em alguns casos elas também entendem essa relatividade. Algumas delas irão responder com o número de namorados que já tiveram. Elas nunca irão contar sobre aquela relação casual que teve com o rapaz que conheceu na boate na última viagem que fez. Para elas, você gostaria de saber apenas o número de parceiros regionais.
Face a isto, você decide aborda-la de forma diferente. Elabora uma estratégia teoricamente e relativamente firme. Enfim consegue perguntar:
- Querida, quantos parceiros sexuais você já teve? Quero dizer... não o número exato, só uma geral.
- Só uma “geral”? Tudo bem: é muito menos que a “geral” do Maracanã.
A relatividade envolve infinitas variáveis. Do mesmo modo que perguntar o número de parceiros de uma mulher é inviável, dizer que a vida é curta também é relativamente uma afirmação falsa. A vida não é curta, especialmente quando você faz as escolhas erradas. Recentemente notei como um dia demora a passar quando se reencontra alguém que você deu um fora.
Em síntese, a relatividade abrange uma área infinita de probabilidades. Relativamente você aprende a viver com algumas delas, no entanto nunca irá entender outras. Quanto maior o número de relatividades negativas que encontrar, maior será sua vida.
