Aquele nada romântico
13.2.08
Por Gustavo Scussel em Aqueles

O romantismo, movimento artístico e filosófico, surgiu ainda no final do século XVIII e perdurou por grande parte do século XIX. Este movimento estético retratava o drama, os amores trágicos, os ideais utópicos e os desejos de escapismo. Essencialmente, o homem romântico atual é sensível, apaixonado, responsável, atencioso e fiel. Embora seja o tipo que grande parte das mulheres gostariam de ter como parceiro, a ausência dessas qualidades aumenta ainda mais a atração entre o casal além de deixar o relacionamento ainda mais divertido.
Certamente toda frase ou idéia romântica é bem sucedida em novelas ou filmes. Uma resposta bem humorada, cínica ou sarcástica é sempre encarada com um sorriso e um beijo na ficção. No mundo real a ordem é um pouco diferente. Há algum tempo aproveitei o momento com uma convidada para criar a oportunidade de nos beijarmos. Depois do segundo beijo, ainda tocando os narizes, ela diz:
- Não foi ótimo? Eu adorei!
- Foi sim. Seu bigode me espetou só na primeira vez.
Sem dúvida eu estava esperando um cena clássica em filmes de comédia romântica. Ela notaria meu sorriso, iria rir, me abraçar e então nos beijaríamos novamente. Com toda certeza foi tudo ao contrário.
Freqüentemente mulheres reclamam sobre a falta de atitude de alguns homens. Num momento como decidir a hora certa de beijar, algumas situações podem ser um completo romance ou um fracasso. Durante uma festa com alguns amigos, um deles se afastou com uma menina. De súbito, ele se aproximou do rosto dela e então se beijaram. Cinicamente, ele perguntou:
- Gostou, hein?
Uma linda história poderia surgir nesse momento, salvo se ela não decidisse lhe bater. Sob efeito do tapa no rosto e do álcool ingerido, ele voltou a olhar para ela e de uma forma ainda mais sarcástica, comentou bem lentamente:
- Selvagem!
Embora sejam demonstrações incríveis da falta de romantismo, durante um namoro é possível encontrar muitas chances de cometer gafes. Na sua imaginação seria uma cena perfeita, com trilha sonora e uma platéia se emocionando. A ex-namorada de um amigo chamou a atenção dele para ganhar um elogio. Levantando uma perna, ela perguntou feliz:
- Querido, olha o quanto meu pé é bonitinho.
- É mesmo, mas de onde vem esse cheiro de Fandangos?
A perspectiva era fazer uma piada baseada em nada. Assim como a brincadeira do bigode, houve uma tempestade pouco depois. Esse tipo de piada se assemelha bastante à várias outras durante um namoro. Durante uma clássica discussão, fui perguntado uma vez:
- Amor, por que você não olha mais pra mim?
- É claro que eu olho. Toda vez que vejo você chegando... eu corro.
Está claro que não preciso dizer o que se desencadeou depois. Apesar de ter entendido a estrutura do problema, arrisquei uma última vez uma resposta diferente e nada romântica. Depois de sairmos do cinema, conversando sentados, ela me pergunta:
- Você me ama?
- Claro!
- Então diga uma coisa gostosa e doce no meu ouvido...
- Sorvete de chocolate.
Ao contrário das outras vezes, essa caiu na gargalhada.
Em síntese, as situações onde uma resposta nada romântica podem ser acionadas são ilimitadas. O resultado quase sempre será o mesmo: uma discussão. Embora seja o padrão, determinar o seu tipo de companhia pode alterar a resposta final. Escolher pessoas bem humoradas é um ótimo começo.
