Aquele com todos os penetras
19.12.07
Por Gustavo Scussel em Aqueles

Freqüentemente nos preocupamos com a nossa condição de estarmos protegidos de perigos ou perdas. Comparada e contrastada com a confiabilidade, a segurança deve avaliar as ações de agentes maliciosos que tentam de qualquer forma quebra-la. Embora haja medidas de segurança específicas para cada área de atuação humana, os penetras estarão sempre a frente de qualquer meio de proteção em qualquer área.
Da mesma maneira que “quem não cola não sai da escola”, quem não entra de penetra não sai de casa. Quando escutamos alguém dizer que tem um convite sobrando para qualquer festa, abrimos mais os olhos, melhoramos nossa audição e levantamos a cabeça em sinal de alerta, do mesmo modo que um cachorro presta atenção àqueles apitos. Decerto nesse momento descobrimos nossa capacidade em conseguir um convite. Nomes como FBI, CIA, NSA, Polícia Federal, não são tão importantes no seu celular quanto “contato penetra um”, “amigo do dono do convite”, “dono do convite” e “muambeiro.” Apenas um dia antes da festa você já terá conseguido resolver tudo isso com perspicácia maior que a do “Jack Bauer.“ Finalmente viu uma operação em andamento de perto. Helicópteros, pessoas importantes, carros de polícia, canais de televisão noticiando todo o prosseguimento de sua missão, enfim, uma verdadeira aventura para no final do dia entrar à caráter na festa.
Ao passo que conseguir o convite era o maior problema, as listas com nomes dos convidados surgiram. Na porta do evento, junto a um segurança, você deveria entregar seu convite e dizer seu nome. Não o verdadeiro, como muitos amigos já fizeram. Há algum tempo fui pego de surpresa. Na entrada, cumprimentei o segurança, entreguei meu convite e dei um passo, que foi interrompido por ele:
- Senhor, seu nome, por favor.
- Hum... meu nome? Fulano Ciclano.
- Desculpe, senhor, mas esse nome não consta na lista.
- Ok! Tenta então Fulano Beltrano.
- Não, senhor, não consta na lista.
Evidentemente recorri à minha última opção. Ainda à frente do segurança, gritei por um amigo. Assim que ele chegou perto, perguntei:
- Me ajuda rapidinho: qual é meu nome mesmo? Eu esqueci.
Embora tenha sido uma tentativa completamente desprovida de inteligência, ele me deixou entrar com o nome fornecido pelo meu amigo. Para ser segurança de uma festa, você deve ter um metro e oitenta e sete centímetros de altura, um ano de experiência e um bom coração. Em breve algumas festas terão um painel computadorizado que lhe permitirá inserir um número infinito de nomes. Na décima segunda tentativa mal sucedida, o computador provavelmente irá lhe oferecer uma sugestão, da mesma forma que um sistema de criação de e-mail.
Penetras são sempre criativos. Eles não querem ser notados, por isso se empenham em conseguir até presentes. Na verdade o lema de alguns lembra marketing de supermercado: “Nós fazemos aniversário e quem ganha o presente é você.” É justamente por isso que alguns embrulham pacotes de bolacha, caixas vazias, cartas agradecendo antecipadamente a festa, etc.
Em síntese, ser penetra por pelo menos um dia é treinar habilidades antes desconhecidas. Da mesma maneira é vivenciar uma aventura com os amigos sem igual, adquirir maior criatividade e aumentar o desempenho de improviso quando um segurança frustrar seu plano.
Aquele com a festa de quinze anos
10.12.07
Por Gustavo Scussel em Aqueles

Todos os anos há uma comemoração que consiste na combinação do dia e do mês em que uma pessoa nasceu. O aniversário é um evento comemorado por várias culturas ao redor do mundo. Embora seja um evento com periodicidade anual, o décimo quinto aniversário é muito importante para as mulheres. Uma festa totalmente planejada para ser inesquecível é então elaborada.
Aniversário de quinze anos é a primeira grande festa de um adolescente. A primeira necessidade a ser cumprida para ir numa festa assim é estar vestido de acordo. Ainda que pareça ser mais complicado uma mulher decidir seu vestido, alguns homens também irão encontrar problemas. Visto que o filho realmente precisa de paletó e gravata, os pais ajudam encontrando uma opção um tanto quanto diferente. No primeiro caso é emprestado um terno que foi usado por algum parente em seu velório. Evidentemente a segunda opção é emprestar ao filho o terno usado num casamento há vinte e oito anos. Durante a festa é fácil encontrar os dois tipos: um lado cheira a formol enquanto o outro cheira a mofo.
As medidas dos ternos usados há mais de duas décadas serão maiores, certamente. Por conseqüência, algumas mangas de paletós estarão dobradas. Por outro lado, roupas realmente acima das medidas são os uniformes das funcionárias. A barra da calça é realmente notável. Há tanta barra sobrando que lembra uma vassoura de gari de sambódromo. Se você perdeu um neon, olhe primeiro na barra da calça das funcionárias. Se você perdeu seu óculos super transado da festa, procure na barra da calça das funcionárias. Se você perdeu seu colar havaiano, ainda que pareça uma serpente carnavalesca subindo alguém, procure na barra da calça das funcionárias. Se você perdeu seu terno, pare de beber.
Adolescentes entendem o tamanho da chance que eles têm. Para alguns, esta é a oportunidade ideal de beber. Os pais que tiveram seus filhos convidados irão se preocupar com a questão do álcool oferecida na festa. Na verdade os pais da aniversariante também pensaram nisso. Em virtude de tal preocupação eles decidem colocar na festa uma batida de maracujá com uma gota de álcool. Uma gota. Se houvesse algo reagindo, não seria possível encontrar a quantidade de álcool contida na batida nem sob cálculo estequiométrico.
Como é uma comemoração, presentes são essenciais. Se você não tiver comprado um, deposite sua esperança em sua convidada. Se ela não tiver comprado alguma coisa também, troque sua acompanhante. No último final de semana dei carona à namorada de um amigo. Ao chegarmos no lugar da festa, esperamos na porta por ele e uma amiga. Assim que chegou, meu amigo perguntou à namorada:
- Querida, você trouxe nosso presente, certo?
- Agora que você não trouxe nada o presente é nosso? Bem esperto.
Nesse meio tempo chega minha amiga. Ansioso, pergunto animado:
- Ei, é claro que você trouxe nosso presente, não é?
- Hum! Não, na verdade só trouxe vinte reais.
- Vinte?! Seria mais interessante quinze...
Enfim, sendo o primeiro grande evento de um adolescente, aniversários de quinze anos têm tudo para serem realmente inesquecíveis. Dentro do estabelecimento e ao som da festa, alguns detalhes e movimentos realmente exóticos podem ser extremamente divertidos. Antes que a festa termine, tente reparar nos excepcionais modelos de ternos e afins, inclusive naqueles que brilham na barra da calça.
Aquele com o filme pornô
3.12.07
Por Gustavo Scussel em Aqueles

A exposição de práticas sexuais diversas além da representação de cenas ou objetos obscenos instiga o líbido do observador. A pornografia assume caráter de atividade comercial através de mídias mais comuns, como revistas, internet e cinema. Além de atiçar o líbido do observador, filmes também podem estimular a curiosidade de outras pessoas.
A fim de acabar com a discrição causada pela vontade, alguns amigos e amigas decidiram alugar um filme pornô. No início da sessão havia um clima sério no ar. Todos pareciam estar assistindo a um documentário sobre focas cinzas no “Animal Planet”, e definitivamente não era sobre a vida sexual delas. Com o intuito de amenizar a situação, abaixei um pouco o volume. Várias vezes uma atriz gritava algo parecido com “This is Sparta!”, e normalmente mais forte que o próprio Leônidas.
A risada de uma amiga quebrou com efeito a seriedade na sala. De fato ninguém parecia compreender o por quê da risada, no entanto foi o suficiente para um comentário feminino:
- Nossa, o dele é tão grande!
- Ei, nós não estamos realmente interessados no tamanho do objeto dele, mas obrigado por compartilhar. Podemos nos concentrar novamente nas duas moças se beijando?
Houve gritos de espanto e sorrisos sutis em virtude do comentário. Um amigo ainda chegou a questionar uma amiga o “porquê” do susto. Decerto elas não sabiam até então desse gosto em comum de alguns homens.
Da mesma maneira que o comentário anterior, outras perguntas foram aparecendo. A amiga que havia soltado a risada ainda não havia se manifestado de outra maneira. De súbito, ela ri alto e finalmente pergunta:
- Vocês podem fazer isso? Vocês podem mesmo fazer isso?!
- Normalmente? Não. Não estamos sendo pagos por isso, de qualquer maneira.
Eventualmente todos começaram a relaxar um pouco. O clima “documentário do Animal Planet” se transformou em “vamos comer pizza e assistir comédias.” Como resultado, começamos a acompanhar as risadas de nossa amiga. Esse clima parecia não estar afetando apenas os presentes na sala. Uma outra amiga nos avisou a tempo:
- Olha! Olha! Ela está rindo para o “cameraman”!
- Sim. Sem dúvida. Eu gostaria de olhar melhor o rosto dela, mas as legendas dramáticas e os obstáculos do ângulo são muito mais interessantes.
Essencialmente toda a curiosidade havia acabado. Como o final de um filme no cinema, algumas opiniões surgiram, outras piadas e brincadeiras. Enquanto guardava novamente o DVD na caixinha, a amiga mais ingênua do grupo se aproximou, olhou e finalmente perguntou ainda com receio e bom humor:
- Gustavo, por quê tem esse número 69 no nome do filme? Sem dúvida não é de sessenta e nove atores e atrizes.
- Hum... como eu vou te explicar. Ah! Já tomou caipirinha? Ela é feita com 51. Se você tomar demais, pode acabar fazendo 69 depois dela. Entendeu?
- Não.
- Que bom.
Em suma, o caráter de atividade comercial da indústria pornográfica saiu ganhando com a nossa curiosidade. Evidentemente não deixou de ser uma experiência um tanto quanto diferente. É verdade que foi um pouco irônica, sarcástica e 69% educativa. Com caipirinha seria 120% bem aproveitada – somando-se com o nome do filme, claro.
