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Aquele com o amigo bêbado

Escrito por Gustavo Scussel | 28.10.07


O álcool é produzido pela fermentação de açúcares contidos em frutas, grãos e em caules. Classificada em fermentadas, destiladas e compostas, a bebida alcoólica pode ser considerada como a droga mais vendida no planeta. Os efeitos do álcool no primeiro período pode ser a euforia e desinibição. Já no segundo momento ocorre descontrole, falta de coordenação motora e sono. Além disso, num terceiro instante, surgem as piadas e nascem as histórias.
Certamente em todas as festas alguém passa mal. O exagero ou até mesmo a vontade de se mostrar para os outros levam algumas pessoas a beberem até o ponto crítico. Não é certo exatamente aonde ou quando se dá início esse ponto. Inesperadamente peguei a dica de um amigo assim que o cumprimentei:
- E aí, beberrão!
- É, Gustavo... quando eu era recém-nascido eu era grande mesmo. Quem te contou?

Ambigüidade nas palavras é um sinal de ponto crítico. Do mesmo modo que o amigo anterior, um outro observou outro sentido à minha pergunta. A festa acontecia num apartamento. Me aproximei dele e perguntei de maneira sarcástica:
- Ei, você sabe aonde está e sabe também o que é parapeito?
- Hum... não, pior que eu não sei aonde eu estou. Mas parapeito eu sei o que é: sutiã!

Numa outra festa um outro amigo entra numa competição de quem bebe mais rápido contra uma amiga. Ele ganha exatamente minutos antes de seus irmãos chegarem e nos dar uma carona. Ele mal conseguia parar em pé quando finalmente eles chegaram. Incapaz de se firmar no banco de trás e sentado no meio, sou obrigado a segura-lo para que não caísse na amiga dos irmãos. Aquela era sem dúvida uma situação parecida com “Um Morto Muito Louco”. A cena era tão absurda que ele me mandava um sinal de positivo ainda de olhos fechados.
Já na casa dele, o deixei no quarto quando lhe perguntei aonde encontraria um balde. Num corredor completamente escuro, os únicos objetos que eu conseguia ver era com a ajuda da luz do celular. Com várias sombras dos baldes, tive de enfiar a mão em todos. Num havia roupas sujas, no outro morcegos que estavam dormindo em pé e só no quinto ou quarto um vazio. Voltei para o quarto e coloquei o balde ao lado da cama. Imediatamente ele me agradeceu e pediu um pouco de água. Fui até a cozinha e voltei com o copo:
- Valeu, Gustavo. Ah... você colocou muito! Bebe um pouco aí.
- Beleza. (...) Pronto.
- Ah, agora você bebeu demais.

Logo depois começamos a conversar. Puxei um assunto qualquer e ele respondeu:
- Então... o jogo do Poderoso Chefão é muito bom, mas meu computador é...
- Ei! Termina de falar! Pronto... dormiu.
- Nossa, a festa estava boa, hein?!
- Poxa, achei por um segundo que você estava bêbado!

Na última festa em que estive o pessoal bebeu muito. Um dos meus amigos começou a passar mal e foi direto para o banheiro. Fui até a cozinha e pedi um copo com refrigerante para levar para ele. Sua namorada tomou a frente: pegou o copo e disse que levaria para ele. Correu até o banheiro quando o viu expelindo as substâncias ingeridas:
- Credo! – e bebeu o refrigerante.
Em síntese, amigos bêbados não sabem o que fazem. Eles também não sabem aonde estão nem o que vai acontecer a seguir, no entanto estou sempre os ajudando. Não deixo os meus amigos na mão.


Nosso sistema imunológico conta com uma proteína muito importante na hora de dar início a um complexo sistema de defesa contra infecções e ataques de vírus e bactérias. A imunoglobulina E tem função de mensageira e é ela que libera histamina quando encontra no sangue qualquer agente agressor. A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma substância estranha ao organismo. Espirros, falta de ar, tosse, coriza, urticárias e edema, podem ser alguns dos sinais apresentados por uma pessoa alérgica.
Na última quinta-feira fui levado ao hospital às pressas. Minha reação alérgica à um remédio foi tão rápida que minha feição física se assemelhou bastante ao “Professor Aloprado.” Em poucos minutos estava numa outra sala sendo questionado a respeito de várias coisas.
De súbito minha memória funcionou bem nessa hora. Nomes de remédios lembram nomes de taxistas árabes. Normalmente são dezessete letras: treze consoantes e quatro vogais. É necessário uma tabela periódica para dizer corretamente esses nomes. Eis que a enfermeira me pergunta:
- Então, Gustavo, quais remédios você tomou?
- Amoxicilina, nimesulida e dorflex.
- Tem certeza?
- Tenho. Eu estava com a tabela periódica, de qualquer maneira...

Duas injeções foram preparadas. A primeira era maior e proporcional ao constrangimento. Qual homem com idade superior a dezesseis anos não sentiria vergonha ao levar injeção na nádega? E o pior: inchada. Perguntei aonde estava a câmera e se aquilo era por ventura uma pegadinha. Provavelmente a ocasião se mostrou ótima para contar piadas e tentar desviar o foco de atenção. Só resta saber se funcionou.
Ocasionalmente fui avisado dos efeitos esperados das injeções. Em seguida chamei a atenção da enfermeira:
- Ei, Eu estou vendo umas luzes vermelhas piscando na minha frente... brincadeira!
- Ah bom, que susto! Não é legal delirar agora.
- São azuis!

Logo após entrei em sono profundo. Quanto ao que se passou depois e em outros momentos que estive acordado, minha memória ficou completamente em branco. Parcialmente me imaginei dormindo dois dias, como efeito pretendido das injeções, no entanto mostrei algumas habilidades eloqüentes e inconscientes de um período de alucinações.
Depois de perguntar à minha mãe o que eu havia feito neste meio tempo, selecionei alguns célebres pensamentos. “Tirar o dente do siso dá dor no braço.” Na quinta-feira tirei meus dentes do siso. Os remédios que posteriormente me causaram alergia deveriam aliviar a dor na boca, não no braço. “Eu vejo gente no quarto.” seguido de “tem muita gente aqui.” Agora penso que não fui tão longe, pois do contrário essas frases seriam do filme “O Sexto Sentido.”
Em síntese, a alergia é realmente uma resposta exagerada do sistema imunológico. Tão exagerada que às vezes nos pregam peças que nos fazem perder a memória, ora por conveniência ora por falta de opção. Além disso, nada melhor que uma história assim para contar para a namorada, os primos e os amigos. De agora em diante sei que qualquer dor no braço é resultado de tirar o dente do siso.


Manter-se informado todos os dias não é tarefa fácil. As notícias percorrem o mundo numa velocidade incrível nos quais os meios de comunicação efetivamente proporcionaram essa evolução. Todavia, o número de informações que nos interessa pode ser demasiado pequeno ou o contrário. Não apenas lemos notícias de alto valor como também podemos nos surpreender com a categoria sensacionalista e tragicômica de algumas matérias.
Em New Port Richey, Flórida, um senhor de 40 anos já é um velho conhecido das autoridades por seus delitos atrás do volante. O motorista conseguiu escapar pela segunda vez dos policiais numa perseguição que levou quase dez minutos. O único problema é que ele tem uma perna e dois braços amputados. Em sua ficha ele é acusado de roubar um carro, agredir sua esposa com uma cabeçada e até mesmo chutar um policial. Como ele conseguiu chutar um guarda? Ele pôde até ser bem sucedido no chute, mas com certeza caiu sentado depois. Sem dúvida é a piada do pintinho que não tinha perna adaptada à um ser humano. E como ele conseguia guiar o carro? Parece um personagem do desenho animado “The Oblongs”. Se com uma perna ele pôde fazer tudo isso, com todos os membros ele dominaria o mundo.
Já na calçada de um prédio residencial em Pequim, um vaso de cerâmica com terra foi o objeto principal de um insólito acidente. Enquanto lavava a varanda de seu apartamento no sexto andar, um artesão de vinte e sete anos derrubou o pequeno vaso, que atingiu algumas pessoas e fez com que outras, depois de ouvirem o barulho e entrarem em desespero, corressem provocando quedas e esbarrões violentos. Antes que atingisse maiores proporções, a polícia foi chamada e conteve a situação. Vinte e sete pessoas, coincidindo com a idade do artesão, ficaram feridas no tumulto. O acidente prova que a China é de fato o país mais populoso. Nessas dimensões, uma bola de gude arremessada do sexto andar pode ferir três pessoas, no mínimo. Por outro lado, fica uma pergunta: se a polícia não tivesse sido chamada, até onde o tumulto teria se estendido?
Em Chicago, uma menina de quatro anos deixou um departamento de emergência inteiro em alerta. No mês de junho a criança efetuou quase trezentas chamadas para o 911, serviço de emergência americano, na esperança de pedir um lanche da rede fast food McDonald's. Usando um celular desativado, o que dificultou a polícia de fazer o rastreamento, duzentas e oitenta e sete chamadas foram feitas até que o diretor pudesse pensar na idéia de pedir o endereço da criança. Provavelmente só pensaram nisso depois de terem ficado estressados com o número de ligações e também para dar a impressão de eficiência à polícia. Talvez ela só quisesse duzentos bonequinhos do Shrek. Se o serviço de emergência realmente atendeu a menina não se sabe. Talvez arrombaram a porta de sua casa e anunciaram a prisão:
- Parada, polícia! Você está presa, MAS... está aqui seu McLanche Feliz.
Um jovem no Canadá que comemorava seu vigésimo aniversário foi ainda mais longe. Enquanto bebia com os amigos decidiram fazer um campeonato de cuspe à distância. Em uma tentativa heróica de cuspir o mais longe, dá início a uma corrida, tropeça e finalmente cai do décimo primeiro andar de sua varanda. Certamente a reação dos amigos foi uma mistura de perda em ambos sentidos com uma esperança de brincadeira. O jovem de fato morreu e deu um significado mais amplo à frase dê a vida pelo esporte. Quem sabe ele não queria apenas ver a distância que seu cuspe atingiu? No entanto, se fosse na China, duzentas e noventa e quatro mil, seiscentas e quarenta e três pessoas ficariam feridas e outros setecentos e quatro mil, trezentos e cinqüenta e um transeuntes ficariam assustados.
Em síntese, manter-se informado pode ser uma atividade um tanto quanto divertida. Só não vá rir enquanto estiver dormindo depois de ler tudo isso. Na província de Phrae, 300 milhas ao norte da Tailândia, um motorista de caminhão morreu enquanto dormia. Sua esposa tentou acorda-lo, mas ele se manteve rindo. A autópsia sugeriu um ataque cardíaco. Se o riso é realmente contagiante, talvez a esposa tenha assistido a morte do marido à sangue frio.