Aquele dos animais de estimação


Certamente toda criança almejou um dia ter um animal de estimação. Cuidar de um animal estimula a responsabilidade e a diversão da criança. Não é segredo também que a curiosidade delas vão faze-las maltratar os pequenos animais quando na verdade pensam que estão apenas brincando com eles. Se não fosse os pais dessas crianças, em algum momento o bichinho com certeza iria pedir socorro.
Nas escolas com primário, é comum os alunos serem presenteados com peixes. Logo depois de chegarem em casa, correm alegres para seus pais mostrando o novo animalzinho. Os pais, claro, se divertem com a situação e ensinam como manter o peixe vivo. Ou não.
Uma amiga, quando pequena, chegou em casa feliz e aos gritos:
- Olha, mãe! Olha, mãe! Olha como o peixinho está feliz! Não é bonitinho?!
A resposta da mãe foi depressa e seu movimento de ajuda foi instantâneo:
- Meu Deus, filha. Coloca o peixe de novo na água. Agora!
Muito obediente, minha amiga colocou novamente o peixe no saco plástico. Numa ponderação fantástica, seu comentário foi esperto e sagaz:
- Ihh, mãe... ficou triste de novo. Olha...
Como minha amiga, eu adorava passear com meu animal de estimação na coleira. O único problema é que ele na verdade era uma tartaruga. Com meus quatro anos e ela com doze, só lhe faltava ensinar a pular. Na verdade tentei. Meus pais é que não deixaram. Pouco depois a ensinei andar de velotrol.
De fato nossos animais foram muito bem cuidados. Todavia, há sempre o amigo que faz brincadeiras de mal gosto. Um dos meus amigos tinha um gato quando pequeno. Num certo dia ele decidiu colocar um copo plástico na cabeça dele. Frustrado e desesperado, o gato só andava para trás e fazendo movimentos parecidos com o de um ser humano balançando a cabeça num show de rock. Simultaneamente, meu amigo caía na risada.
Provavelmente coelhos também já foram animais bem procurados por crianças. Um outro amigo tinha um casal de coelhos. Sempre que íamos à fazenda brincávamos com um animal diferente. Na última, aproveitando a páscoa, os pequenos orelhudos se juntaram à nossa brincadeira. Basicamente, um de nós escondia e um dos coelhos deveria nos encontrar no menor tempo. Assim que a fêmea encontrou meu amigo, da mesma forma que cobra engole sapo, ele rapidamente gritou freneticamente por ter pressentido que havia perdido. Perdeu a brincadeira e o coelho. Por vinte minutos eles chorou na esperança dela abrir novamente os olhos.
Dessa forma, animais de estimação constituem uma parte importante nas nossas vidas. A responsabilidade e a alegria que eles nos trazem são boas obrigações e purificadoras, respectivamente.

Aquele das repostas das psicólogas


A psicologia é a ciência que estuda os processos mentais e o comportamento humano e animal. O estudo da alma é caracterizado principalmente pelas relações psicólogo/paciente. As sessões são extremamente explicativas. Os mecanismos envolvidos em determinados comportamentos, os meios de preveni-los e modifica-los são complexos e de difícil argüição. São respostas que apenas a alma entende por si só.
Freqüentemente encontro antigos amigos e conhecidos na rua. O método para matar a saudade em poucos minutos envolve uma interação dinâmica e rica em detalhes. Posteriormente pode até resultar num convite para uma festa ou um encontro com o restante dos amigos. Isso acontece especialmente quando ficamos sabendo que alguém já se formou na faculdade.
Numa dessas festas acabei encontrando muitos amigos e amigas já formados. Uma delas, formada em psicologia, conseguiu me prender à conversa. Certamente estava indo tudo bem, salvo se não fosse sua magnífica idéia em tentar me ajudar. Ela começa:
- Então, como vai sua vida amorosa?
- Bem... não vai. Não estou interessado no momento em relacionamento sério, embora já sinta que estou muito mais seguro se tiver um agora. E mais “cabeça no lugar” também.
- O que? Você não assumiu nenhum compromisso sério até hoje? Se acha seguro mesmo? Pelo contrário, Gustavo... você está mesmo é inseguro. Ainda tem aquela mania de organização exagerada? Viu, isso mostra que além de inseguro busca também uma forma de organizar fora de si uma coisa que precisa ser organizada na verdade na sua vida, na sua cabeça. Não concorda?
- Que jacaré não come alpiste? Aham...

E ela, testando seu conhecimento recém-adquirido, continua:
- Olha, mais uma coisa. Usar o humor para desviar a seriedade dos assuntos não é sadio.
Consultar-se com um profissional desse nível é, sem dúvida, pagar para ser humilhado. Se sua necessidade de ajuda for grande, sua auto-estima vai lá em baixo e nada saiu melhor do que já estava. Em virtude de tal humilhação, até o próprio paciente iria achar o nome “baixa auto-estima” legal demais para ele.
Tudo bem que conhecer e explicar os comportamentos desviantes seja também objeto de estudo da psicologia. Todavia, não deve ser usado para criar um comportamento desviado na outra pessoa. As respostas no estilo freudiana são cada vez mais inusitadas e complexas.

Aquele do ego perfeccionista


Tratado pelos psicólogos como uma forma de procurar aprovação dos outros ou mesmo de aliviar-se da auto derrota, o perfeccionismo aparece como um jogo de pensamentos nos que sofrem dessa mania. Contudo, ter o anseio por organizar melhor suas coisas ou até mesmo se empenhar ao máximo num objetivo, não é sinal de insegurança. Pelo contrário: é um quadro de referência interno que trabalha à seu favor, onde ninguém precisa te qualificar ou aprovar por isso.
Atualmente tenho discutido com uma certa freqüência o futuro dos meus amigos depois do terceiro colegial. Alguns pretendem fazer faculdade na cidade enquanto outros preferem fazer fora e por ventura morar numa república. Com toda certeza me encaixo no segundo grupo.
Logo depois de comentar isso com um amigo, minhas manias foram colocadas à prova. Com um olhar oblíquo e desconfiado, ele continua a conversa:
- Vem cá: você acredita mesmo que vai conseguiu morar numa república? Convenhamos também: seu quarto é todo organizado. Seu guarda-roupas tem todos os cabides virados para o fundo e as camisas estão em degradê. Você vai conseguir dividir o quarto com alguém?
- Seguramente que sim. Você acha que meu quarto nunca está um minuto sequer desorganizado?
- Duvido. Se brincar nem uma camisa em cima da cama tem. Se tiver vai estar dobrada.
- É claro que tem hora que tem camisa em cima da cama. Quando chego em casa e preciso sair correndo novamente, normalmente tiro e a jogo na cama...
- Joga mesmo?

E já mudando o tom de voz e criando uma sonoridade suave, respondo:
- Jogo. Ela só cai coincidentemente em forma de quadrado.
Às vezes saio para almoçar com alguns amigos. Desde que comecei a sair assim não só tive algumas das experiências tragicômicas mais exóticas como também as conversas mais inusitadas. Num desses encontros na hora do almoço uma amiga se junta à minha mesa.
A conversa é agradável e o tempo passa de mansinho. Depois de lhe fazer uma pergunta bem humorada ela para. Comecei a observar os movimentos que ela fazia no prato antes de levar a comida à boca e finalmente perguntei:
- Você quer escrever a resposta à minha pergunta com o macarrão ou é alguma outra coisa?
De súbito, a resposta:
- Desculpa. É que eu tenho TOC e não posso enrolar o macarrão de outra forma que não seja no sentido anti-horário. Também não posso deixar o final dele balançando muito no garfo.
Em suma, são as pequenas e simples coisas que feitas com perfeição ou obsessão provocam um humor bem distinto.

Aquele com a criança maçante


Criança pequena é sinônimo de irritação. Longe de ser uma generalização é seguramente um caso comum entre muitas pessoas. Para os adolescentes principalmente, suportar uma criança é por à prova sua paciência. Contudo, quando não há mais como suportar esse incômodo constante, a tolerância vai a zero e as saídas criativas começam a surgir.
Há pouco tempo um primo pequeno cujo apelido era “tragédia” conseguiu me irritar num nível sem igual. Depois de sujar minha calça, me atirar refrigerante, me bater com cabo de vassoura e finalmente jogar meu celular longe, minha idéia rápida e clara. Convidei ele para cavar um buraco no chão comigo. Aproveitando o terreno e o fato de raramente ajudar alguém a fazer algo desse tipo, o buraco foi feito em questão de minutos. Finalmente o coloquei no buraco:
- Ok... sabe, você aprontou muita coisa hoje. O sol está ótimo essa hora e eu consigo te segurar aqui o dia todo até pedir desculpa e dizer que não vai mais irritar ninguém. Não é uma idéia legal? Já pedi permissão para seu pai e sua mãe para fazer isso e adivinha o que eles me disseram? É claro que eu posso tentar educar você!
O rosto triste e o pedido de desculpas se forma às pressas. No entanto, não estava disposto a aceitar expressões. Ao invés disso, queria argumentos verbais depois de sofrer tanto. Em cinco minutos de choro e uma lista de pedido de desculpas eu estava tranqüilo novamente.
Numa outra ocasião, a maldade se fez tão genial e sarcástica quanto a anterior. A fim de comer em paz num churrasco, outro primo insistia em trazer bem próximo de mim um espeto em chamas. A cada cinco minutos eu engasgava com alguma coisa ao ver o pequeno endiabrado chegar perto.
No primeiro momento de descuido dele lhe tomei o espeto-carvão e o coloquei num saco. Carreguei por alguns minutos e o soltei:
- Ei! Uma dica: cuidado para não cair de cima desse muro, ok? Se você se mexer muito vai ser um tombo feio. Assim que me pedir desculpas e prometer deixar de lado essa idéia de deus do fogo eu te tiro daí. Combinado?
Ironicamente o cérebro faz todo o processo de imaginação da criança. Os pedidos de socorro se foram em vão e a promessa finalmente foi feita. Eu abri o saco e ao olhar para ele, disse:
- Você acreditou mesmo que estava em cima do muro? Meu Deus, como sua imaginação é fértil!
De súbito um arrependimento enorme me ocorreu. Não era por ter feito aquilo, mas pelo soco que seguiu minha afirmação. Tomado pela raiva essa foi sua única saída: bater no mentor do plano do muro.

Aquele do instinto natural dos animais


A zoologia divide o reino animal em cinco: peixes, répteis, anfíbios, aves e mamíferos. Cada reino apresenta em seus animais comportamentos bem delimitados. As disposições inatas em relação a ações particulares são descritas pela palavra instinto. Essas ações podem ser influenciadas pelo ambiente, aprendizado e até pelos próprios princípios naturais. Embora exemplos possam ser observados no comportamento de animais, perseguir pessoas não parece ser uma das várias atividades complexas que eles executam.
Há pouco tempo fizemos um passeio em família para uma fazenda. A fim de aproveitar ao máximo a idéia de não ter tido até então muito contato com a natureza, me ponho a andar a esmo pela área. Ocasionalmente via um animal ou outro. Fiquei atônito com um tamanduá-bandeira. Continuei andando até entrar em choque com a cena que começou a se passar à minha frente. Poucos metros adiante minha mãe corria desesperadamente de um ganso. O animal, de asas abertas, parecia ter sido dominado por alguma entidade paranormal que insistia em perseguir um ser humano. Como resultado, devagar senti meu corpo descer até encontrar-se com o chão para finalmente rir à vontade.
Provavelmente na terra a batalha seja equilibrada. Contudo, se o inimigo está no céu, a situação tende a ser desfavorável para um lado. No rancho de uma amiga, nos deparamos com um animal de instinto ainda mais surpreendente. A arara, que de asas abertas media quase um metro, resolveu criar um impasse com o pessoal. Não é certo, mas ela foi provocada veemente por um homem que gritava “arara” como se fosse mesmo uma. Nesse meio tempo, ele imitava uma galinha.
Em virtude da brincadeira de mal gosto do rapaz, a arara se estressa. Ela começa a descer e executa um rasante com maestria, enquanto à sua frente, um homem corre do mesmo modo que o papá-léguas e destrói as coisas à sua volta da mesma maneira que um furação.
Posteriormente o homem passa a não ser mais atraente para a arara. Próximo ao rancho estava acontecendo um jogo de futebol. Onze jogadores se empolgavam à medida que o jogo se tornava mais competitivo:
- Toca para a esquerda! Toca logo para a esquerda! Toca de uma vez para... ARARA!
Simultaneamente todo mundo se joga no campo. O animal finalmente frustra uma partida de futebol depois de outros três rasantes.
Dessa forma observamos como o comportamento de animais pode ser por vezes interessante e divertido. Seus instintos podem ser influenciadas pelo ambiente, mas sem dúvida são muito mais aperfeiçoados quando os próprios animais passam a analisar esse tipo de situação – se é que observam.

Aquele das pérolas das provas


A inteligência é definida em dois “consensos” diferentes. Em um, o indivíduo se destaca não apenas por compreender rapidamente idéias complexas, mas também por superar obstáculos mediante pensamento. No outro, a inteligência vem de uma capacidade mental generalizada. Nela, a pessoa tem a habilidade de raciocinar, planejar e resolver problemas em relação ao mundo à sua volta. Nesse aspecto a inteligência é mais profunda e ampla. Pensar de forma abstrata também se encaixa no segundo consenso. Para as provas dos meus amigos, talvez esteja aqui o elo que me faltava para compreender suas pérolas.
Há pouco tempo passamos por duas provas abertas. A área que deveríamos fazer era por nossa escolha. Seguramente as três proporcionam a mesma possibilidade de serem respondidas com uma pérola.
No final da primeira prova encontrei uma amiga e acabamos saindo para comer alguma coisa. Sem que eu mesmo quisesse tocar no assunto, a prova estava diante de nós e um comentário era inevitável. Ela perguntou:
- Então, como se saiu na prova? Foi bem?
- Me saí melhor que o esperado. A prova de humanas tinha algumas perguntas fáceis, como aquela para caracterizar como estava a economia mundial do Pós-Segunda Guerra Mundial do ponto de vista geopolítico.
- Hum, sei bem qual é. Eu disse que era boa!

Ouvir essa quando se mastiga ou bebe algo é proporcionalmente perigoso em ambos os casos. A resposta nestas situações quase se equiparam a levar um soco no rosto. E de surpresa.
A princípio uma ou outra resposta podem ser interpretadas, como no caso das provas de filosofia. Sentado com um amigo conversando, a regra da conversa é bastante semelhante a anterior:
- E aí, Gustavo, como foi na prova de filosofia?
- Nossa... acabei estudando ontem de madrugada a parte da matéria que mais caiu. Pelo menos em três das cinco perguntas eu estava completamente seguro da minha resposta. E você?
- Ah, eu não tinha estudado nada de modelos de produção. Prova de filosofia é uma vergonha deixar em branco. Escrevi nas cinco: “tudo que sei é de que nada sei”.

Já vi uma prova de química com a letra de “Pais e Filhos”. Segundo meu amigo, “Faroeste Caboclo é batido e grande.” Contudo, a prova de química que mais chamou minha atenção tratava-se de uma pergunta sobre petróleo.
“Explique como se dá as etapas de separação do petróleo”, era a pergunta. “O petróleo não se separa, ele já vem pronto na natureza.” A resposta, tão intensa e vívida, foi sucesso no colégio por algumas semanas.
No entanto quem muito fala tem culpa. Eu mesmo já elaborei uma pérola. Na segunda prova aberta, não lembrava de forma alguma o nome da cruzada organizada pelo papa Urbano II à Península Ibérica. Assim, às pressas, coloquei logo “Cruzada Ibérica”. No meu ponto de vista, não apenas não deixou de ser uma cruzada como também teve como alvo a Península Ibérica.
Enfim, as pérolas estão em todas as provas. Salva uma questão em branco e ainda por cima proporciona diversão.