Aquele da piscina gigante
28.7.07
Por Gustavo Scussel em Aqueles

Certamente todos já tiveram aquele amigo exagerado. O contador de histórias preferido da sala, que ninguém leva a sério mas chora de rir. O mesmo que assiste “Onze Homens e Um Segredo” e ao chegar em casa, diz que ficou sabendo no cinema que um amigo assaltou com sucesso um banco. Coisa típica de amigo exagerado.
No primeiro semestre deste ano, na carona de volta para a minha casa, conheci um destes. Não conversávamos muito, no entanto sempre prestava muita atenção nas poucas vezes que ele falava. E a primeira conversa longa que tivemos, foi uma catástrofe.
Voltando para casa, passamos em frente a um clube. Já com o roteiro pronto, o nosso amigo lança o comentário:
- Nossa, aqui tem uma piscina muito boa. Já vieram aqui? E é funda também.
Nossas respostas foi um “não” seguido de quão funda era.
- Ah, deve ter uns dezesseis metros de fundura...
O sinal fecha, todo mundo na rua para, o pai do meu outro amigo engasga. Ele, amigo do exagerado a mais tempo, pergunta:
- O que?! O QUE?! Dezesseis metros? De FUNDURA?!
E o pai do meu amigo:
- Você sabe quanto é dezesseis metros? É quase o tamanho daquele poste de luz.
Nosso amigo olhou, pensou, fez uma cara de coisa-nova-com-gosto-sem-graça e voltou a falar:
- Mas é aquilo ali mesmo! Se não é dezesseis é dezessete de fundura.
E o meu outro amigo:
- O que? O QUE?! De FUNDURA?!
Minha risada era contida junto a qualquer tentativa sarcástica. Meu amigo perguntava ao exagerado quase que gritando e soprando risadas maliciosas.
Depois de vinte minutos de conversa, desistimos. Ele estava convicto que era de quinze a dezoito metros de profundidade a piscina. Devia ter até coral no fundo, pra tamanha certeza. Ele não compreendeu que “fundura” era basicamente o problema da conversa seguido do exagero, mas deixamos quieto assim mesmo.
Aquele da proposta irrecusável
17.7.07
Por Gustavo Scussel em Aqueles

Desde pequeno atendo o telefone de casa. É desde pequeno também que entendo como funciona a estratégia de vendas por telefone. O telemarketing é mesmo um setor incrível de vendas e propostas. No entanto, é também uma forma de incômodo sem igual.
Eventualmente algumas pessoas acabam estressando com o número de ligações que recebe. Outras tendem a ser bem humoradas e usar uma saída diferente. Eis que atendo ao telefone:
- Bom dia. Com quem eu falo?
- Gustavo. Pois não?
- Bom dia, senhor Gustavo. Estamos te ligando para oferecer um plano de internet banda larga que tenho certeza que o senhor irá se interessar. O senhor gostaria de conhecer esse plano?
- Ah... acho que não. Já tenho internet banda larga e estou muito contente com a minha assinatura.
- Entendo, senhor Gustavo. No entanto nós gostaríamos que o senhor ouvisse nossa proposta. Por apenas nove e noventa por mês você tem acesso...
- Não... eu realmente não estou interessado, obrigado.
- Então, senhor Gustavo, como eu dizia, por apenas nove e noventa você tem acesso a internet banda larga e não ocupa o seu telefone.
- Hum... um minuto, estou pensando. Com quem eu falo?
- Carla, senhor.
- Hum... então, Carla, eu tenho um monitor LG de dezessete polegadas aqui. Estou vendendo por nada mais nada menos que seiscentos reais. Você estaria interessada no produto?
- Senhor, desculpa, mas eu liguei para lhe oferecer um produto. Não posso aceitar nada.
- Como não? Vai perder essa oportunidade? Ok! Quinhentos e oitenta reais. Gostaria?
- Não senhor, obrigada. Eu estou te ligando para o oferecer um plano, não comprar um produto.
- Ahh... se é assim não tem negócio!
- Mas senhor...
- O que? Mudou de idéia?
- Não senhor.
- Ah, então passar bem! Foi bom poder te oferecer meu produto. Se mudar de idéia entre em contato. Um bom dia pra senhorita.
Certamente ela pensou que falava com um louco. Provavelmente deve ter rido um pouco quando desligou o telefone. O que não deixa dúvidas é que eu me diverti bastante.
Em suma, acho que ela nunca imaginou que alguém faria isso. Creio que depois dessa não irei receber por um longo tempo ligações oferecendo produtos.
Aquele de todos os assaltos
11.7.07
Por Gustavo Scussel em Aqueles

Provavelmente ser assaltado não é uma das melhores coisas que podem acontecer de ruim. Veja bem: de ruim. Por exemplo: entre ser assaltado e tropeçar no meio da rua as pessoas irão escolher evidentemente tropeçar. Eu não tive essa oportunidade, infelizmente.
A primeira vez foi algo ruim, rápido e sem graça. Ei, ainda estou falando de assalto! Não tive sequer a chance de fazer uma piada rápida ou fazer uma atuação emocionalmente desequilibrada. Enfim, foi rápido.
Numa dessas vezes eu estava voltando do colégio com um amigo a pé. Ele para alguns consideráveis metros antes de mim. Enquanto sigo a caminhada rumo ao meu lar avisto dois indivíduos sentados e apoiando suas pernas nas famosas barras-fortes. Pouco antes de virar a primeira esquina, vejo os dois me seguindo. Continuei no mesmo passo. Noutra esquina, passo ao lado de uma loja onde vejo pelo reflexo que um deles está logo atrás de mim. Atravessei a rua e finalmente fui abordado:
- Aí, irmão... de boa, só quero seu telefone.
- Beleza!
E soltei o número do telefone de casa. Foi uma idéia de alguém que está mesmo emocionalmente desequilibrado e com medo.
- Ei, já me roubaram faz pouco tempo. Não tenho mais celular...
- E o que é isso no seu bolso? - perguntou ele enquanto conferia minha perna tocando-a.
- Minha chave.
- Então beleza, irmão. Continua andando e fica de boa.
Ordem de ladrão que não bate depois de ser respondido com tamanha petulância é para ser mesmo seguida. Pedala o ladrão que me abordou e pedala o amigo dele, que além de ser “peso-pesado”, exalava um cheiro que um gambá é capaz de invejar.
Na semana deste episódio, já tinha sido roubado numa outra ocasião. O ladrão virou a esquina e a oportunidade se fez com a rua vazia. Levantou a camisa, segurou a arma e pediu o celular.
- Passa o celular! Passa o celular!
- Ah! É pegadinha, né? - perguntei já jogando o celular.
Embora sejam passagens com um humor muito oculto, certamente o mais engraçado de todos os assaltos foi o que um amigo teve que passar. Já sob a mira de uma arma que se encontrava na sua orelha, ele foi obrigado a cuspir pêlos pubianos do autor do assalto, que não teve nenhuma discrição higiênica em dizer indiretamente aonde estava a arma antes dali.
Nesse caso, só podia mesmo ser pegadinha. Não era, afinal.
Aquele do dia combinado
10.7.07
Por Gustavo Scussel em Aqueles

A oitava série foi o ano que eu me descobri como um dos melhores malandros e o tipo mais relaxado de aluno, respectivamente. Por outro lado eu tinha também meus momentos pensantes. O meu melhor amigo estava na mesma sala que eu naquele ano e até onde era possível, estávamos aprontando.
A princípio éramos bons alunos e estávamos distante de nos preocupar com imprevistos como assistir um dia que só tivesse aulas chatas. Assim desenvolvemos a estratégia “estou passando mal”.
Era incrível essa idéia. Nós combinávamos o dia que deveríamos faltar na aula e então, na noite anterior, abordávamos nossas mães e as influenciávamos a acreditar que estávamos realmente ruins. E era assim a cada duas semanas, toda quarta-feira...
Certa vez combinamos as pressas de faltar na quinta-feira. Na quarta, meu telefone toca e eu atendo. Quem fala primeiro é meu amigo.
- Ou... quando você passar mal, me dá um toque só pra ficar sabendo. Minha mãe está fazendo umas frituras que eu pedi e eu já tenho a desculpa. E você?
- Hum... minha mãe está fazendo algumas frituras também. Vou comer bastante e depois digo que exagerei...
- Ahh... então está beleza. Quem passar mal primeiro liga para o outro. Até!
Mal se passou cinco minutos e o telefone toca novamente. Eu atendi:
- Alô.
- Ou... tô passando mal. Beleza?
- Nossa! Já? Beleza! Vou passar também!
- Até.
E lá vou eu para a cozinha frustrar meu plano: “passei mal” antes mesmo de jantar! Na quinta, nós dois matamos a aula.
No dia seguinte encontro com o meu amigo numa festa que tínhamos combinado de se encontrar. A primeira coisa que ele me pergunta:
- E aí, curtiu o episódio de ontem?
- Que episódio?
- Ué... episódio de Malcolm.
- Piff. Eu nem sabia que passou Malcolm ontem.
- Como não?! Eu te liguei avisando!
- Você ligou me avisando?
- Liguei. Quando você atendeu eu disse: “tá passando Malcolm! Beleza?”
- Ahh, meu Deus! Eu entendi que você estava passando mal...
Obviamente caímos na risada. Por dez minutos nossas palavras ficaram completamente indecifráveis. No final, acabou que fomos aproveitar a festa, mas até hoje ainda reprisamos essa cena na nossa cabeça.
Aquele da aula de física
6.7.07
Por Gustavo Scussel em Aqueles
Enfim férias. Provavelmente eu ainda não acredito, apesar de já ter conseguido dormir quatro horas a mais que o de costume. E ainda com a ficha à cair, só me lembro de uma aula em específico para rir no meu primeiro dia de férias.
O professor de física acaba de resolver no quadro uma questão fechada. Resolução completa. No entanto ele não havia colocado no final a letra correta – para os alunos que invariavelmente se preocupam em marcar a resposta com “x” ao invés de olhar a resolução e encontrá-la por si próprio. Uma vez que ele já ia trocar de exercício, uma aluna levanta a mão e indaga:
- Professor. Qual letra dá a primeira questão? D?
- Hein?
- C?
- Hein?!
- B?
Em suma, depois de um bate-rebate de “hein” mais “letra”, era hilário olhar para o lado e notar que inegavelmente estavam todos rindo.
Certamente rindo agora dessa situação, eu sei que estou de férias. Agora só resta ver o que irá acontecer comigo em outras ocasiões.
Aquele da fila indiana
5.7.07
Por Gustavo Scussel em Aqueles

Ultimamente tenho andado muito de ônibus. Seguramente é o momento que eu mais dou risada.
Hoje tive de pegá-lo mais uma vez junto a uma amiga. Todo o percurso estava tranquilo até o momento em que o ônibus avança numa velocidade razoável por uma pequena descida; no final dela está um dos pontos que mais desce e sobe gente. Minha amiga desce nele. Inesperadamente, eu a segurei por mais alguns segundos enquanto ele ia ladeira abaixo. O pessoal daqui, que apesar de ser mineiro é extremamente apressado, ia levantando e formando uma fila no corredor segurando-se onde dava.
Bem perto do final da descida, o motorista manda ver no freio. Adivinha o que aconteceu? Claro! Todo mundo no corredor sentiu o efeito dominó começando da pessoa que estava mais perto da porta de saída até quem estava próximo a catraca. E quem se segura na hora do tombo, acaba segurando o equivalente a três pessoas e, é claro, não agüenta tamanha pressão. Moral: a fila indiana cai no estilo mais trapalhões do mundo.
Minha amiga é o tipo de pessoa que não segura, ou pelo menos não faz questão, de reprimir sua risada. E não é que ela o fez dessa vez? Eu olhei bem no rosto dela e disse:
- Meu Deus... eu preciso urgentemente fazer um curso para me tornar mais sério... - momento do qual eu estava me segurando pra não rir enquanto via o pessoal se levantando.
No instante que termino minha frase eu vejo uma garota apoiando-se no banco da frente ao que estávamos sentados. Ela olha pra gente como quem diz “eu sei que meu tombo foi feio, mas obrigado por não estarem rindo de mim” e assim abre um sorriso. Quando eu reparei bem, ela provavelmente deveria ter assinado um Tratado de Tordesilhas para os dentes atacantes dela. E pra quem tem maldade num momento desse, basta sussurrar para outra pessoa “eu acho que ela bateu a boca numa poltrona” ou “fecha essa janela que o vento está matando hoje” para soltar energeticamente a risada. E assim fez minha amiga e eu.
A menina ainda sorria e eu só encontra ali motivo para continuar rindo. Minha amiga desceu e passou do lado da janela ainda rindo. Alguém tem dúvida que eu ainda estava rindo? Imagina...
Eu não disse que seguramente o ônibus era o lugar que eu mais ria?
Aquele onde tudo começa novamente
Por Gustavo Scussel em Aqueles
Finalmente volto a me dedicar a uma coisa que eu gosto de fazer: escrever. Eu continuo agora sem nenhuma periodicidade e sem nenhum compromisso – ao contrário do 4xD, onde eu preciso filtrar exageradamente todo texto antes de postar.
De qualquer maneira estou aqui para satisfazer mesmo uma vontade e nada mais que isso. Espero que os outros possam tirar boas risadas daqui. Espero também que assim como eu, os outros possam ver até as situações mais complicadas como fonte de humor e sarcasmo.
Abraço a todos.
