Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Aquele com todos os foras


Levar um fora está longe de ser algo bom. O medo da rejeição influencia nossas decisões além do presente momento. Embora seja uma ansiedade enorme, é preciso ter coragem para aceitar o fato de que não se pode evitar a rejeição e mesmo assim continuar arriscando.
Com toda certeza levar um fora o deixa pensativo por alguns instantes, principalmente no dia seguinte. Como resultado, a manhã parece passar devagar e a necessidade de tirar a calça de moletom e o pijama se mostram remotas. Recentemente acordei no mesmo estado. Enquanto preparava meu café da manhã ainda pensativo, um vizinho pequeno se aproximou agitado de mim e perguntou:
- Você sabe o nome do carro do Speed Racer?
- Sei. É “match cinco.”

De súbito, como quem acha que a mão esticada é um cartão e sua nádega é o aparelho que o registra, o jovem atochou toda minha calça na parte posterior. É incrível como calças de moletom são enormes quando você cai numa pegadinha dessas. Da mesma maneira que tomamos um certo tempo para acreditar que a atriz Dercy Gonçalves irá completar cento e um anos, leva-se cerca de um minuto para recolher toda a calça para o lado de fora.
Se recuperar de um fora é relativo. Depois de serem rejeitados, alguns homens se afastam frustrados e vão xingar ela para os amigos, outros decidem ir embora da festa e, uma terceira parcela, decide virar EMO.
É provável que os homens saibam encarar melhor um fora. Mulheres, em contrapartida, não sabem ouvir não. Para elas, dizer “não” é uma atitude fácil e comum. Está claro que essa facilidade que elas adquiriram é resultado de conhecer nós, homens, melhores que nós mesmos. Quando um homem pergunta “você quer ajuda para carregar isso?”, na verdade significa “você quer ficar comigo?” Se o pneu do carro de uma mulher fura e um homem pergunta “você precisa de alguém para trocar o pneu?”, significa “você quer ficar comigo?”. Até a mais óbvia, como “você não acha que estamos indo rápido demais?”, significa “será que dá pra passar no vermelho antes do caminhão?”. Todavia, se você disser “não” a elas, a situação é um pouco diferente. Durante a festa de aniversário de um amigo, depois de algumas horas conversando à toa com uma antiga conhecida, ela diz:
- Diga um número par de 1 a 3. Se você acertar, pode me beijar.
- Um e três.

Conforme o treinamento básico de ser uma mulher, ela procurou ainda nervosa uma satisfação:
- Porquê? Você é gay? Virou gay?! Se for isso, tudo bem.
- Não, eu não sou e não virei. Olha, vamos ser só amigos, ok?

Provavelmente dizer isso a uma mulher é pior do que lhe dar a resposta que ela gostaria de ouvir. Quando uma mulher dá um fora dizendo “minha vida está complicada demais agora”, significa “eu não quero ficar ouvindo você me ligar cinco vezes por dia como um desesperado.” Quando ela diz “não é você, sou eu”, significa “é você.” Quando ela diz “vamos ser só amigos”, significa “eu quero ter você por perto para falar dos caras que estou saindo e reclamar deles pra você." Por outro lado, quando um homem diz “minha vida está complicada demais agora”, significa “você é feia.” Quando ele diz “não é você, sou eu”, significa “você é feia.” Quando ele diz “vamos ser só amigos”, significa “você é realmente feia.”
Em síntese, levar um fora ou ter medo de ser rejeitado, se encaixa perfeitamente na forma de pensar que nosso cérebro desenvolveu ao longo dos séculos. É inevitável correr o risco de ser rejeitado, e a única coisa que pode ser feita é entender que as outras pessoas pensam de forma dinâmica. As experiências delas mudam e seus estados emocionais também. Só não caia num dos famosos erros de querer uma explicação do por quê de ter levado um fora, xingar a outra pessoa ou, evidentemente, virar EMO.

 

Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Aquele com toda sinceridade


A sinceridade, como virtude, está presente naquele que se manifesta no momento adequado e de forma conveniente à outra pessoa o que fez, o que viu, o que pensa e o que sente com clareza e respeito a sua situação ou a dos demais.
Quando eu era pequeno minha mãe me preparava vitamina todos os dias. Como toda criança normal, eu não gostava de beber aquilo. Depois de adquirir confiança em mim, ela passou a me deixar sozinho na cozinha com a vitamina. De fato, na primeira vez que fez isso, a oportunidade se mostrou ótima para virar completamente aquele copo na pia. É provável que daquele dia em diante eu não teria mais que me preocupar com a vitamina, contudo comecei a me sentir péssimo. A fim de acabar com o peso na minha consciência, pedi desculpas à minha mãe, contei o que havia acabado de fazer e pedi uma nova vitamina. Desde então continuei melhorando meu ponto de vista em relação a sinceridade.
Eventualmente a amizade é uma relação aonde todas as virtudes podem ser aprimoradas. Estar com pessoas e entender o mundo delas é fantástico, principalmente quando você sente confiança na outra pessoa. Há algum tempo, caminhando com alguns amigos, um deles começa a imaginar um cenário de violência logo após ver um grupo suspeito atrás de nós. A vitória seria nossa se lutássemos juntos. Um dos meus amigos, notando meu silêncio, perguntou:
- Gustavo, você iria ajudar, né?
- O que você quer dizer por "ajudar"?
- Ajudar a bater neles!
- Hum... na verdade eu iria sair correndo pedindo por socorro. Em outra palavras, sim, eu iria ajudar.

Como amigo de longa data, ele estava certo que era uma brincadeira, e continuou:
- Ah, você sempre diz que primeiro vem a família e depois os amigos! Sabia que você iria ajudar.
- É você que está dizendo, não eu.

Não é certo, mas grande parte dos seus amigos irão encarar sua sinceridade como uma piada. Em outra ocasião, logo que cheguei no colégio, tomei conhecimento de um trabalho que deveria ser entregue no dia e feito em dupla. Para minha surpresa, um amigo havia feito o trabalho e colocado meu nome nele. Às pressas, tratei de agradecê-lo. Ele disse:
- Ah, não foi nada. Eu tenho certeza que faria o mesmo por mim.
- Bom... eu não tenho tanta certeza, mas obrigado ainda assim.

Ao contrário das situações aonde a sinceridade funciona como piada, em outras você precisa ser sincero para não deixar um clima ruim. Durante uma festa entre amigos e conhecidos, uma recém-conhecida me pergunta:
- Você está me cantando?
- Na verdade, agora estou. Há mais coisas interessantes em você do que eu imaginava.

Ela abre um sorriso e pergunta:
- Ah, é? Como você me imaginava?
- Não vamos estragar o momento.

Em certos momentos a sinceridade é perfeita. Durante uma aula de matemática no cursinho, indago minha dúvida à outra aluna, que respondeu com bom humor e um pouco envergonhada. Perguntei:
- Você pode me dizer por que aquela fatoração está certa e esta não?
- Hum... eu acho que é porque aquela é do professor. Por que está me perguntando? Eu não sei nada de matemática, desculpa.
- De fato eu estou começando a me perguntar sobre isso agora.

Por outro lado, há momentos em que a sinceridade deve ser descartada. Mesmo que sua namorada esteja um pouco gordinha quando te perguntar, não diga que ela está gigante. Insistir na idéia de que estará fazendo o bem para ela sendo sincero só irá gerar uma guerra. É o mesmo que chegar em casa e dizer:
- Mãe, pai... esse é o meu novo amigo que eu trouxe pra almoçar, uma pessoa do bem... Champinha.
Enfim, embora a sinceridade seja encarada como piada na maioria das vezes, ela deve respeitar a sua situação pessoal e sobretudo a dos demais. Ser conveniente é essencial para não dar a entender que está ofendendo a outra pessoa.

 

Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Aquele com o Tiro de Guerra


O décimo oitavo aniversário de um homem não é exatamente o aniversário mais feliz. Assim que alcança a maioridade passa a ser considerado capaz para os atos da vida pública. Em contrapartida, para efeitos militares, a minoridade cessa aos 17 anos, quando jovens podem ser alistados nas forças armadas.
Antes de começar a criar expectativas ou frustrações, a primeira obrigação é se alistar na Junta de Serviço Militar. Indubitavelmente grande parte do pessoal quer ser dispensado, no entanto muitos começam a criar cenários e planejar antecipadamente respostas e justificativas. Todas as habilidades aprendidas quando era mais novo para entrar nas festas de quinze anos serão necessárias. Na Junta, o oficial me perguntou:
- Você trabalha, tem algum problema, etc?
- Hum... eu sou ajudante de leiteiro, levanto as quatro da madrugada, sustento minha mãe e... não tenho um pé.
- Deixa eu ver.
- Meu pé? Não dá, poxa... eu disse que eu não tenho.
- Ok, dispensado.

Esse era o meu cenário e meu plano antecipado, contudo só pude dizer que não trabalhava e não tinha nenhum problema. Inevitavelmente teria que voltar em outra data estipulada.
A partir da segunda vez, a não ser que seja dispensado, encontrará problemas. Caso uma nova data seja dada, você deverá se apresentar à seleção. Da mesma maneira que chifre é característica de boi, o exame médico é característica da seleção. Em pequenos grupos, todos são levados a uma sala. A princípio todos ficam de cueca aguardando uma nova instrução. Logo após um sargento nos avisa para abaixar a cueca e assoprar o dorso do punho. Provavelmente é nessa hora que você nota que não é o único nervoso e ansioso. Uma pequena parte dos homens começam a ter visão turva, erram as costas do punho e finalmente imitam sons de gases. É mais fácil encontrar uma sinfonia ali do que numa sala de ginástica da terceira idade.
Não é certo, mas uma risada é quase impossível nessa sala. Embora seja um humor camuflado, ainda que tenha perdido o momento, talvez tenha outra chance. No mesmo grupo em que me encontrava, um homossexual também foi chamado. Com cabelo comprido, calça jeans justa e uma blusa “baby look”, o sargento o separou do grupo, apontando um lugar atrás de um armário:
- Guerreiro! Por favor, fique nesse canto de costas, guerreiro. Não quer ver você virar, guerreiro...
Estar apto na seleção significa uma nova visita, desta vez para uma entrevista e, por fim, a matrícula. Inquestionavelmente é a última oportunidade para ser dispensado. Em virtude de tal risco, qualquer tentativa vale a pena. Dois amigos estiveram na última fase comigo. Enquanto um deles não tinha nenhuma audição de um ouvido, o outro se fazia de quase surdo dos dois. Para o primeiro, correu tudo bem. O segundo, apesar de uma ótima encenação, caiu na armadilha do sargento. Enquanto caminhava para fora da sala, o superior gritou:
- Feche a porta, por favor.
Você nunca acredita que um ser humano com tamanha capacidade em artes cênicas seria capaz de voltar. Ele não apenas fechou a porta como também seria capaz de dizer “quase não escutei” com o maior sorriso, se eu estivesse no corpo dele.
A fim de te ajudar, alguns amigos irão opinar em suas histórias e inventar outras pra você. Conversando com um amigo que já havia sido dispensado, ele começou:
- Se nada der certo, você pode se fingir de bicha. Eles vão te dispensar.
Com efeito, outro amigo aparece na conversa, já tirando sarro:
- Você não iria fazer isso só pra ser dispensado, iria? Você ia ser chamado de bicha sempre.
- Provavelmente não. Bom, se eu fosse dispensado eu até poderia ser chamado de bicha. Depois da guerra eu ainda seria uma bicha com duas pernas.

Em síntese, a minoridade cessa um pouco mais cedo para os jovens do sexo masculino para efeitos militares. Uma longa trajetória até ser dispensado é traçada e um objetivo, normalmente comum à maioria, é lançado: ser dispensado.

 

Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Aquele com toda relatividade


Como conseqüência da compreensão progressiva de que dois referenciais diferentes oferecem visões perfeitamente plausíveis, o princípio da relatividade foi surgindo ao longo da história da filosofia e da ciência. Dessa forma comparamos tudo à nossa volta com padrões de relatividade. De fato, tudo é relativo.
Freqüentemente tenho programas nutricionais com amigos. Em virtude de tantos encontros é comum procurar lugares novos. Está claro que nem sempre conseguimos os melhores estabelecimentos. No último encontro com alguns amigos e amigas, saímos para procurar um restaurante aonde pudéssemos comer camarão. Enquanto conversávamos, nossos pratos chegaram. A fim de deixar clara minha surpresa, reclamei ironicamente:
- Ah não! Eles nunca mandam meu prato com o tempero certo. Só três fios de cabelo? Ou eu peço por uma tesoura ou terei que trocar meu prato.
Sem dúvida todos entenderam minha intenção, entretanto um amigo cortou com efeito as risadas:
- Não acredito que vai pedir para trocar seu prato por causa de três fios de cabelo.
- Claro que vou. Três fios de cabelo no meu prato é muito. Na minha cabeça é pouco. Na sua cabeça seria muito. É relativo.

Números sempre envolveram relatividade. Se você conta uma única piada, todos irão elogia-la. Se você conta uma série de piadas, você é relativamente engraçado. Desde pequeno números influenciam a relatividade e você estará preocupado com eles na maior parte do tempo. Embora estejamos acostumados com isso, nunca pergunte a uma mulher quantos parceiros sexuais ela já teve. As pessoas dizem “nunca diga nunca”, porém nesse caso, nunca pergunte. Agradeça por estar com ela agora e nada mais. Se por ventura perguntar, prepare-se. Independente do número que ela disser, não importa qual, será muito para você. Você vai começar a oscilar entre gritos e reflexões em voz baixa:
- Dois?! Dois? Eu não acredito... dois? Ai meu Deus... dois?! É... deve ter sido essa a sua criação mesmo.
Não é certo, mas provavelmente em alguns casos elas também entendem essa relatividade. Algumas delas irão responder com o número de namorados que já tiveram. Elas nunca irão contar sobre aquela relação casual que teve com o rapaz que conheceu na boate na última viagem que fez. Para elas, você gostaria de saber apenas o número de parceiros regionais.
Face a isto, você decide aborda-la de forma diferente. Elabora uma estratégia teoricamente e relativamente firme. Enfim consegue perguntar:
- Querida, quantos parceiros sexuais você já teve? Quero dizer... não o número exato, só uma geral.
- Só uma “geral”? Tudo bem: é muito menos que a “geral” do Maracanã.

A relatividade envolve infinitas variáveis. Do mesmo modo que perguntar o número de parceiros de uma mulher é inviável, dizer que a vida é curta também é relativamente uma afirmação falsa. A vida não é curta, especialmente quando você faz as escolhas erradas. Recentemente notei como um dia demora a passar quando se reencontra alguém que você deu um fora.
Em síntese, a relatividade abrange uma área infinita de probabilidades. Relativamente você aprende a viver com algumas delas, no entanto nunca irá entender outras. Quanto maior o número de relatividades negativas que encontrar, maior será sua vida.

 

Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Aquele nada romântico


O romantismo, movimento artístico e filosófico, surgiu ainda no final do século XVIII e perdurou por grande parte do século XIX. Este movimento estético retratava o drama, os amores trágicos, os ideais utópicos e os desejos de escapismo. Essencialmente, o homem romântico atual é sensível, apaixonado, responsável, atencioso e fiel. Embora seja o tipo que grande parte das mulheres gostariam de ter como parceiro, a ausência dessas qualidades aumenta ainda mais a atração entre o casal além de deixar o relacionamento ainda mais divertido.
Certamente toda frase ou idéia romântica é bem sucedida em novelas ou filmes. Uma resposta bem humorada, cínica ou sarcástica é sempre encarada com um sorriso e um beijo na ficção. No mundo real a ordem é um pouco diferente. Há algum tempo aproveitei o momento com uma convidada para criar a oportunidade de nos beijarmos. Depois do segundo beijo, ainda tocando os narizes, ela diz:
- Não foi ótimo? Eu adorei!
- Foi sim. Seu bigode me espetou só na primeira vez.

Sem dúvida eu estava esperando um cena clássica em filmes de comédia romântica. Ela notaria meu sorriso, iria rir, me abraçar e então nos beijaríamos novamente. Com toda certeza foi tudo ao contrário.
Freqüentemente mulheres reclamam sobre a falta de atitude de alguns homens. Num momento como decidir a hora certa de beijar, algumas situações podem ser um completo romance ou um fracasso. Durante uma festa com alguns amigos, um deles se afastou com uma menina. De súbito, ele se aproximou do rosto dela e então se beijaram. Cinicamente, ele perguntou:
- Gostou, hein?
Uma linda história poderia surgir nesse momento, salvo se ela não decidisse lhe bater. Sob efeito do tapa no rosto e do álcool ingerido, ele voltou a olhar para ela e de uma forma ainda mais sarcástica, comentou bem lentamente:
- Selvagem!
Embora sejam demonstrações incríveis da falta de romantismo, durante um namoro é possível encontrar muitas chances de cometer gafes. Na sua imaginação seria uma cena perfeita, com trilha sonora e uma platéia se emocionando. A ex-namorada de um amigo chamou a atenção dele para ganhar um elogio. Levantando uma perna, ela perguntou feliz:
- Querido, olha o quanto meu pé é bonitinho.
- É mesmo, mas de onde vem esse cheiro de Fandangos?

A perspectiva era fazer uma piada baseada em nada. Assim como a brincadeira do bigode, houve uma tempestade pouco depois. Esse tipo de piada se assemelha bastante à várias outras durante um namoro. Durante uma clássica discussão, fui perguntado uma vez:
- Amor, por que você não olha mais pra mim?
- É claro que eu olho. Toda vez que vejo você chegando... eu corro.

Está claro que não preciso dizer o que se desencadeou depois. Apesar de ter entendido a estrutura do problema, arrisquei uma última vez uma resposta diferente e nada romântica. Depois de sairmos do cinema, conversando sentados, ela me pergunta:
- Você me ama?
- Claro!
- Então diga uma coisa gostosa e doce no meu ouvido...
- Sorvete de chocolate.

Ao contrário das outras vezes, essa caiu na gargalhada.
Em síntese, as situações onde uma resposta nada romântica podem ser acionadas são ilimitadas. O resultado quase sempre será o mesmo: uma discussão. Embora seja o padrão, determinar o seu tipo de companhia pode alterar a resposta final. Escolher pessoas bem humoradas é um ótimo começo.

 

Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Aquele no clube


Uma característica comum à quase todas as pessoas é ser sócia de algum clube. Essa relação social diz respeito a um grupo de indivíduos livremente associados que têm em comum alguns gostos. As atividades e fins dos clubes são muito diversos. Em outras palavras, há um benefício extremamente amplo entre as pessoas para a continuidade do clube.
Constantemente vou ao clube por duas necessidades: tomar sol e usufruir a sauna. No último domingo me reuní com alguns amigos para nos divertirmos. Pouco depois de todos terem mergulhado e descido no “toboágua”, me deitei numa cadeira para tomar sol. Alguns minutos se passaram quando eles finalmente voltaram. À minha esquerda havia uma mulher, com uma distância de pouco mais de dois metros. Assim que eles chegaram ela se levantou. A oportunidade se fez ótima para um dos meus amigos colocar uma cadeira de sol entre a gente. Chamei a atenção dele:
- Você está definitivamente brincando comigo, certo?
- Ué, não. Porquê?
- Tem um clube inteiro à nossa direita para colocar uma cadeira e você põe do lado dela? Entre ela e eu? Você está invadindo o espaço de conforto dela. Eu gostaria de puxar conversa.
- Tudo bem, eu chego mais para o seu lado.
- Não. Já está colado demais, não vai ficar legal.

Ele deu uma risada e completou:
- Você está com medo que a gente se pareça um casal hetero?
Inevitavelmente qualquer um iria reparar o erro na pergunta dele. Tomei ar, acionei o semblante “revelação” e disse:
- Não tenho medo de parecer um hetero. Na verdade só não quero que a gente se pareça, você sabe, um casal “hetero.”
Não é certo, mas certas situações inusitadas sempre me surpreendem no clube. Outras situações acontecem comigo por uma disparidade no universo. Há algum tempo uma criança se aproximou de mim no clube. Com o protetor solar na mão, ela me perguntou:
- Moço, por que está escrito aqui FPS 30?
É praticamente impossível resistir um sorriso e uma pergunta inocente de criança. Respondi com bom humor e em tom de brincadeira:
- Significa: fator de proteção trinta segundos.
- Trinta segundos, moço? Eu acabei de passar!
- Trinta, vinte e nove, vinte e oito, vinte e sete...

Da mesma forma que o sorriso de uma criança, talvez seja difícil também segurar algumas tentativas de comunicação feminina. Respeitando minha segunda necessidade de ir ao clube, passo uma boa parte do tempo na sauna, ora na de carvão ora na de eucalipto. Como de costume na sauna de eucalipto, me sento no segundo degrau ao lado da porta. Assim que a porta se abriu, procurei reconhecer a pessoa que entrou, mas ela o fez primeiro:
- Você conhece a Fulana de onde?
- Não estou seguro se conheço essa pessoa. Pode dizer novamente?
- Fulana. Você estava conversando com ela agora pouco na piscina.
- Ah, sim, conheci hoje. Muito gente boa e educada também.
- Legal. Ela é uma grande amiga minha. Sauna faz muito bem, não é?
- Com certeza. Melhora o fluxo sanguíneo, desintoxica o organismo, alivia o estresse e a hipertensão, descongestiona os brônquios...
- O que são brônquios?

A pergunta quebrou efetivamente por completo minha expectativa. Em virtude de tal pergunta e sob efeito de uma tosse involuntária, respondi:
- Não sei, mas estou sentindo falta deles agora que perguntou.
Enfim, contribuir de modo benéfico para a continuidade do clube através de gostos que todos temos em comum, diversifica nossa relação social ao mesmo tempo em que várias atividades e fins diferenciados são oferecidos através do ambiente. Por outro lado não deixa de ser um momento cheio de surpresas.

 

Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

Aquele com doze horas de viagem


Férias é sinônimo de viajar. O deslocamento de pessoas em uma jornada ocasionalmente traz um certo cansaço, ora pela preocupação em fazer uma viagem segura ora por tomar um grande tempo entre a origem e o destino. Além disso é uma condição única de conhecer lugares diferentes.
Na última semana de dezembro tive de arrumar minha mala às pressas. Em virtude de tal correria para organizar as roupas, alguns utensílios que não podem ser esquecidos normalmente são. Face a isto peço ajuda à minha mãe:
- Você acha que eu devo levar o aparelho de barbear?
- Depende. Se você deixar sua barba em casa não vai precisar de qualquer maneira.

De fato fazer a mala não é exatamente a tarefa mais fácil. Há tantas divisões dentro dela e mesmo assim não são suficientes para tudo que tem. Apesar de serem feitas para acomodar grande quantidade de roupas em geral, elas não são práticas em larga escala. Você nunca vai ouvir algum vizinho dizer perto de você que comprou uma mala nova para a casa dela. Se ouvir, pense em uma das seguintes hipóteses: ou seu vizinho é louco ou você deve comprar um guarda-roupa.
No dia seguinte começamos a viagem. A princípio todo começo de viagem é tranqüilo e raramente problemático. Leve em consideração que anteriormente todos dormiram bastante e antes de sair de casa usaram o banheiro. Salvo se essa condição sempre fosse verdadeira, o som sintonizado em qualquer FM deveria ser desligado imediatamente. Assim que começa a distanciar de sua cidade, o som começa a chiar. Ele vai de ruídos graves à quase um som de cachoeira. Todo mundo fica em silêncio na mesma hora e começam a sentir alguma necessidade. Além disso ninguém desliga o som. Vinte minutos depois é feita a primeira parada.
Logo depois de voltar ao carro e prosseguir a viagem, o som ainda continua ligado. Provavelmente a programação antiga das rádios continham menos propagandas e mais músicas. O problema das propagandas está no conteúdo ostensivo delas: vender a qualquer custo. Uma delas chamou minha atenção. Aparentemente um rapaz convida sua namorada para comer uma pizza enquanto está dirigindo. Ao pararem ela diz que naquele lugar não vende pizzas. Ele diz que sim e ela o chama de “esperto”. Até então era um mistério para mim, mas que se solucionou com o fim da mensagem: “Motel X. Aqui a pizza é de graça.” Você pode arriscar convidar alguém para esse programa:
- Ei, que tal a gente ir para um motel e comer pizza?
Não é certo, mas majoritariamente a resposta será negativa. Só resta esperar o motel fazer a promoção com comida chinesa, pois certamente a pessoa não gostava de pizza.
Com quase oito horas de viagem, paramos para comer – e não foi no motel. Pedi dois lanches enquanto o restante do pessoal só parecia ter pedido um. Enquanto o comia, não me preocupei em tirar o segundo da sacola. Terminei o primeiro e peguei uma das duas sacolas para pegar meu outro lanche. Para minha surpresa ele não estava lá. Perguntei para minha tia:
- Tia, meu outro lanche está nessa sacola?
- Não, querido, nós estamos jogando lixo nessa.

Imediatamente pensei o pior. Olhei para o fundo do pacote e lá estava meu lanche. Minha expressão facial era bem semelhante à de uma criança que acaba de perder tudo num jogo de “bafo.” Cinco minutos depois me perguntaram:
- Gustavo, você sabe aonde tem lixo?
- Aonde tiver um lanche meu...

Em suma, uma viagem com tamanha duração pode ser realmente preocupante e cansativa. Antes que o som comece a emitir chiados ou que joguem lixo no seu lanche, peça férias à Lei de Murphy também.

 

Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

Aquele com todos os penetras


Freqüentemente nos preocupamos com a nossa condição de estarmos protegidos de perigos ou perdas. Comparada e contrastada com a confiabilidade, a segurança deve avaliar as ações de agentes maliciosos que tentam de qualquer forma quebra-la. Embora haja medidas de segurança específicas para cada área de atuação humana, os penetras estarão sempre a frente de qualquer meio de proteção em qualquer área.
Da mesma maneira que “quem não cola não sai da escola”, quem não entra de penetra não sai de casa. Quando escutamos alguém dizer que tem um convite sobrando para qualquer festa, abrimos mais os olhos, melhoramos nossa audição e levantamos a cabeça em sinal de alerta, do mesmo modo que um cachorro presta atenção àqueles apitos. Decerto nesse momento descobrimos nossa capacidade em conseguir um convite. Nomes como FBI, CIA, NSA, Polícia Federal, não são tão importantes no seu celular quanto “contato penetra um”, “amigo do dono do convite”, “dono do convite” e “muambeiro.” Apenas um dia antes da festa você já terá conseguido resolver tudo isso com perspicácia maior que a do “Jack Bauer.“ Finalmente viu uma operação em andamento de perto. Helicópteros, pessoas importantes, carros de polícia, canais de televisão noticiando todo o prosseguimento de sua missão, enfim, uma verdadeira aventura para no final do dia entrar à caráter na festa.
Ao passo que conseguir o convite era o maior problema, as listas com nomes dos convidados surgiram. Na porta do evento, junto a um segurança, você deveria entregar seu convite e dizer seu nome. Não o verdadeiro, como muitos amigos já fizeram. Há algum tempo fui pego de surpresa. Na entrada, cumprimentei o segurança, entreguei meu convite e dei um passo, que foi interrompido por ele:
- Senhor, seu nome, por favor.
- Hum... meu nome? Fulano Ciclano.
- Desculpe, senhor, mas esse nome não consta na lista.
- Ok! Tenta então Fulano Beltrano.
- Não, senhor, não consta na lista.

Evidentemente recorri à minha última opção. Ainda à frente do segurança, gritei por um amigo. Assim que ele chegou perto, perguntei:
- Me ajuda rapidinho: qual é meu nome mesmo? Eu esqueci.
Embora tenha sido uma tentativa completamente desprovida de inteligência, ele me deixou entrar com o nome fornecido pelo meu amigo. Para ser segurança de uma festa, você deve ter um metro e oitenta e sete centímetros de altura, um ano de experiência e um bom coração. Em breve algumas festas terão um painel computadorizado que lhe permitirá inserir um número infinito de nomes. Na décima segunda tentativa mal sucedida, o computador provavelmente irá lhe oferecer uma sugestão, da mesma forma que um sistema de criação de e-mail.
Penetras são sempre criativos. Eles não querem ser notados, por isso se empenham em conseguir até presentes. Na verdade o lema de alguns lembra marketing de supermercado: “Nós fazemos aniversário e quem ganha o presente é você.” É justamente por isso que alguns embrulham pacotes de bolacha, caixas vazias, cartas agradecendo antecipadamente a festa, etc.
Em síntese, ser penetra por pelo menos um dia é treinar habilidades antes desconhecidas. Da mesma maneira é vivenciar uma aventura com os amigos sem igual, adquirir maior criatividade e aumentar o desempenho de improviso quando um segurança frustrar seu plano.

 

Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

Aquele com a festa de quinze anos


Todos os anos há uma comemoração que consiste na combinação do dia e do mês em que uma pessoa nasceu. O aniversário é um evento comemorado por várias culturas ao redor do mundo. Embora seja um evento com periodicidade anual, o décimo quinto aniversário é muito importante para as mulheres. Uma festa totalmente planejada para ser inesquecível é então elaborada.
Aniversário de quinze anos é a primeira grande festa de um adolescente. A primeira necessidade a ser cumprida para ir numa festa assim é estar vestido de acordo. Ainda que pareça ser mais complicado uma mulher decidir seu vestido, alguns homens também irão encontrar problemas. Visto que o filho realmente precisa de paletó e gravata, os pais ajudam encontrando uma opção um tanto quanto diferente. No primeiro caso é emprestado um terno que foi usado por algum parente em seu velório. Evidentemente a segunda opção é emprestar ao filho o terno usado num casamento há vinte e oito anos. Durante a festa é fácil encontrar os dois tipos: um lado cheira a formol enquanto o outro cheira a mofo.
As medidas dos ternos usados há mais de duas décadas serão maiores, certamente. Por conseqüência, algumas mangas de paletós estarão dobradas. Por outro lado, roupas realmente acima das medidas são os uniformes das funcionárias. A barra da calça é realmente notável. Há tanta barra sobrando que lembra uma vassoura de gari de sambódromo. Se você perdeu um neon, olhe primeiro na barra da calça das funcionárias. Se você perdeu seu óculos super transado da festa, procure na barra da calça das funcionárias. Se você perdeu seu colar havaiano, ainda que pareça uma serpente carnavalesca subindo alguém, procure na barra da calça das funcionárias. Se você perdeu seu terno, pare de beber.
Adolescentes entendem o tamanho da chance que eles têm. Para alguns, esta é a oportunidade ideal de beber. Os pais que tiveram seus filhos convidados irão se preocupar com a questão do álcool oferecida na festa. Na verdade os pais da aniversariante também pensaram nisso. Em virtude de tal preocupação eles decidem colocar na festa uma batida de maracujá com uma gota de álcool. Uma gota. Se houvesse algo reagindo, não seria possível encontrar a quantidade de álcool contida na batida nem sob cálculo estequiométrico.
Como é uma comemoração, presentes são essenciais. Se você não tiver comprado um, deposite sua esperança em sua convidada. Se ela não tiver comprado alguma coisa também, troque sua acompanhante. No último final de semana dei carona à namorada de um amigo. Ao chegarmos no lugar da festa, esperamos na porta por ele e uma amiga. Assim que chegou, meu amigo perguntou à namorada:
- Querida, você trouxe nosso presente, certo?
- Agora que você não trouxe nada o presente é nosso? Bem esperto.

Nesse meio tempo chega minha amiga. Ansioso, pergunto animado:
- Ei, é claro que você trouxe nosso presente, não é?
- Hum! Não, na verdade só trouxe vinte reais.
- Vinte?! Seria mais interessante quinze...

Enfim, sendo o primeiro grande evento de um adolescente, aniversários de quinze anos têm tudo para serem realmente inesquecíveis. Dentro do estabelecimento e ao som da festa, alguns detalhes e movimentos realmente exóticos podem ser extremamente divertidos. Antes que a festa termine, tente reparar nos excepcionais modelos de ternos e afins, inclusive naqueles que brilham na barra da calça.

 

Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Aquele com o filme pornô


A exposição de práticas sexuais diversas além da representação de cenas ou objetos obscenos instiga o líbido do observador. A pornografia assume caráter de atividade comercial através de mídias mais comuns, como revistas, internet e cinema. Além de atiçar o líbido do observador, filmes também podem estimular a curiosidade de outras pessoas.
A fim de acabar com a discrição causada pela vontade, alguns amigos e amigas decidiram alugar um filme pornô. No início da sessão havia um clima sério no ar. Todos pareciam estar assistindo a um documentário sobre focas cinzas no “Animal Planet”, e definitivamente não era sobre a vida sexual delas. Com o intuito de amenizar a situação, abaixei um pouco o volume. Várias vezes uma atriz gritava algo parecido com “This is Sparta!”, e normalmente mais forte que o próprio Leônidas.
A risada de uma amiga quebrou com efeito a seriedade na sala. De fato ninguém parecia compreender o por quê da risada, no entanto foi o suficiente para um comentário feminino:
- Nossa, o dele é tão grande!
- Ei, nós não estamos realmente interessados no tamanho do objeto dele, mas obrigado por compartilhar. Podemos nos concentrar novamente nas duas moças se beijando?

Houve gritos de espanto e sorrisos sutis em virtude do comentário. Um amigo ainda chegou a questionar uma amiga o “porquê” do susto. Decerto elas não sabiam até então desse gosto em comum de alguns homens.
Da mesma maneira que o comentário anterior, outras perguntas foram aparecendo. A amiga que havia soltado a risada ainda não havia se manifestado de outra maneira. De súbito, ela ri alto e finalmente pergunta:
- Vocês podem fazer isso? Vocês podem mesmo fazer isso?!
- Normalmente? Não. Não estamos sendo pagos por isso, de qualquer maneira.

Eventualmente todos começaram a relaxar um pouco. O clima “documentário do Animal Planet” se transformou em “vamos comer pizza e assistir comédias.” Como resultado, começamos a acompanhar as risadas de nossa amiga. Esse clima parecia não estar afetando apenas os presentes na sala. Uma outra amiga nos avisou a tempo:
- Olha! Olha! Ela está rindo para o “cameraman”!
- Sim. Sem dúvida. Eu gostaria de olhar melhor o rosto dela, mas as legendas dramáticas e os obstáculos do ângulo são muito mais interessantes.

Essencialmente toda a curiosidade havia acabado. Como o final de um filme no cinema, algumas opiniões surgiram, outras piadas e brincadeiras. Enquanto guardava novamente o DVD na caixinha, a amiga mais ingênua do grupo se aproximou, olhou e finalmente perguntou ainda com receio e bom humor:
- Gustavo, por quê tem esse número 69 no nome do filme? Sem dúvida não é de sessenta e nove atores e atrizes.
- Hum... como eu vou te explicar. Ah! Já tomou caipirinha? Ela é feita com 51. Se você tomar demais, pode acabar fazendo 69 depois dela. Entendeu?
- Não.
- Que bom.

Em suma, o caráter de atividade comercial da indústria pornográfica saiu ganhando com a nossa curiosidade. Evidentemente não deixou de ser uma experiência um tanto quanto diferente. É verdade que foi um pouco irônica, sarcástica e 69% educativa. Com caipirinha seria 120% bem aproveitada – somando-se com o nome do filme, claro.

 
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