“Bon courage”


Utilizada para designar os relacionamentos sexuais entre três pessoas, “ménage à trois” ou simplesmente “ménage” é uma expressão de origem francesa que significa “mistura a três”. Por certo é uma das fantasias mais cobiçadas do sexo masculino. No entanto, eventualmente os papéis podem se inverter em virtude de uma análise minuciosa. Logo após as investidas de um amigo, a maravilhosa desconhecida terminou sua bebida e me encarou com o corpo dizendo maliciosa e pausadamente:
- Sabe como isso poderia ficar mais interessante? Se você, seu amigo e eu fizéssemos alguma coisa sozinhos. Você topa?
- Terei que recusar. Eu não suportaria ver meu amigo sorrindo pelo mesmo motivo que o meu.

O Mundo Que Eu Conheço


Ele percorreu diligente e heroicamente o corredor que chega à minha sala. Ele o fez por conta própria, sem a necessidade de se sentar na cadeira de rodas. Suas pernas já não têm mais a mesma força que tinha no início. Logo elas não terão mais forças para o sustentar. Embora ele saiba disso, esse fato não o impede de se empenhar ao máximo nos curtos caminhos que faz a pé.

Ao terminar o percurso e se sentar na poltrona, esboçou duas expressões: fadiga e alegria. O cansaço era evidente através da enorme quantidade de ar que inspirou para os pulmões, no entanto, a vontade de sorrir era ainda mais forte para gastar todo o ar recém puxado e substituir às pressas a manifestação anterior.
"Ele quis vir se despedir de você", disse minha mãe saindo em seguida do corredor, claramente feliz por ele ter conseguido. "Ele me contou que você é o primeiro amigo que ele fez aqui no bairro", completou ela.

Ao chegar em casa, o vi sentado a observar o pai trabalhando na reforma. Para se entreter, brincava com uma chave de fenda. Imediatamente, o convidei para jogar alguma coisa no meu computador. O trouxe para dentro sem grandes problemas, ainda que estivesse na cadeira de rodas. Era a primeira vez que entrava em minha casa.
Entretido, dessa vez pelo jogo, aos poucos fomos nos conhecendo. Seus olhos estavam fixos nos eventos que ocorriam na tela, e a mão, posicionada cautelosamente sobre as teclas corretas para comandar as ações do jogo. Conversar e jogar não comprometia sua atenção.

Seu nascimento se deu após o período normal de gestação. Dessa forma, sua formação foi afetada. As pernas são fracas assim como todos os outros membros. Sua visão, começa a sofrer agora. Ainda pode enxergar, mas freqüenta desde já uma escola para cegos. "Eu posso não ficar cego, mas se isso acontecer, já saberei como fazer as coisas", me explica com um sorriso, voltando logo depois os olhos para a tela.

Ainda não tem os sonhos bem definidos, mas sabe com toda certeza o que não quer. "Prefiro tentar ser baterista, antes de virar pedreiro como meu pai", e novamente sorri, mas com convicção, dessa vez.
É humilde. Nas poucas vezes que perdeu no jogo, me perguntou: "Quer jogar, Gustavo?" Como resultado, aceitei assumir o jogo uma vez. Aguardou pacientemente, e me parabenizou ao final do estágio.

O mundo que eu conheço é totalmente diferente. E é provável que o seja para muitas outras pessoas. Supervalorizamos valores que não são importantes. Sabemos de cor ou com um clique o preço de tudo e os valores de nada. Clamamos independência quando já não dependemos de nada, exceto idéias impostas à nós. Temos passatempos sofisticados, sonhos exagerados e olhos afiados – para as críticas, infelizmente.

O mundo que eu conheço é carente de empatia, deficiente de atenção. É egoísta. Eu sou egoísta. Constantemente temos ao alcance da mão inúmeras regalias. Quando muito, apenas nos esforçamos mais na ação de implorar por algo, que logo descartamos.

Pouco antes de ir embora, o perguntei acerca de qual presente esperava ganhar no Natal. "Um skate", respondeu imediatamente, rindo em seguida da minha careta. A resposta sem dúvida foi uma surpresa para mim. Lhe perguntei então, ainda em dúvida, "como vai fazer para andar nele?" "De barriga, ué", respondeu com naturalidade, como se fosse evidente para mim também.

"Bom, eu tenho um skate. Sempre quis ter um, mas não andei muito nele depois que o ganhei. Você pode levar ele", lhe disse devagar, enquanto ainda saboreava a imaginação de o ver experimentando o primeiro passeio de barriga num skate. "Só não me agradeça como se eu fosse o gordo do Papai Noel, por favor", adicionei, tirando a segunda risada dele após se dar conta de que acabara de ganhar o que queria.

No meu mundo nós vivemos elaborando desculpas para não fazermos as coisas. No dele, há desculpas para fazê-las. No meu, somos uma caixa lacrada sem vontade de ser aberta a fim de encontrarmos novos recursos. No dele, uma caixa já remexida com centenas de idéias, prontas para serem usadas no que quer que desafie seus limites.
No nosso mundo, vícios se confundem com virtudes. No dele, qualidades se tornam talento. No nosso, confessamos apenas os pequenos defeitos para convencer os outros de que não temos grandes, ao passo que, no dele, são visíveis para que os sejam vencidos em público, sem vergonha.

Dedico, sinceramente, esse texto a alguém que espero que nunca perca a visão para ver as pequenas mudanças – seja no ambiente seja nas pessoas. Que nunca perca também a força para acreditar nas coisas.
Eu aprendi algo inestimável com você, Walter, que espero não descartar jamais.

Padrão “Oriente Médio”


Metaforicamente, o solteiro é uma espécie de rato que pensa poder comer o queijo sem cair na ratoeira. Posteriormente ele se dá conta da realidade e passa a evitar as mesmas coisas que fazia antes de se prender à armadilha. Em virtude de uma recente atitude minha, meu amigo perguntou ainda irritado:
- Gustavo, como você pôde dar um fora naquela descendente linda de árabe?!
- Sendo ela do Oriente Médio, alguma coisa me disse que a TPM dela devia ser um “estouro”.

Ciência sarcástica


A curiosidade e a ciência sempre andaram de mãos dadas. A princípio, se tratava de responder por que chovia e posteriormente, de revelar os mínimos detalhes da vontade de saber tudo. Logo depois de sair do banheiro, um amigo tomou a atenção de todos na sala com a sua pergunta:
- Pessoal, vocês sabem o que significa quando as fezes não bóiam?
- Significa que elas morreram.

Desavença de Irmãos


Sem dúvida as agressões verbais e físicas são marcas registradas entre irmãos do mesmo sexo. No entanto, a maturidade de ambos os lados tendem a diminuir a freqüência dessas brigas através da conversa antes que uma solução crítica e infantil seja tomada. Logo depois de agüentar cinco minutos a massagem à socos do meu irmão enquanto usava o computador, ameacei em tom médio:
- Olha, ou você pára com isso ou eu realmente vou apelar com você e eu não estou de brincadeira.
Da mesma maneira que surdo escuta tiro no morro, ele continuou os socos e comentou provocativamente:
- Ah, é? Então apela!
- Você quem pediu... Ô, mãe! Vem cá!