
Levar um fora está longe de ser algo bom. O medo da rejeição influencia nossas decisões além do presente momento. Embora seja uma ansiedade enorme, é preciso ter coragem para aceitar o fato de que não se pode evitar a rejeição e mesmo assim continuar arriscando.
Com toda certeza levar um fora o deixa pensativo por alguns instantes, principalmente no dia seguinte. Como resultado, a manhã parece passar devagar e a necessidade de tirar a calça de moletom e o pijama se mostram remotas. Recentemente acordei no mesmo estado. Enquanto preparava meu café da manhã ainda pensativo, um vizinho pequeno se aproximou agitado de mim e perguntou:
- Você sabe o nome do carro do Speed Racer?
- Sei. É “match cinco.”
De súbito, como quem acha que a mão esticada é um cartão e sua nádega é o aparelho que o registra, o jovem atochou toda minha calça na parte posterior. É incrível como calças de moletom são enormes quando você cai numa pegadinha dessas. Da mesma maneira que tomamos um certo tempo para acreditar que a atriz Dercy Gonçalves irá completar cento e um anos, leva-se cerca de um minuto para recolher toda a calça para o lado de fora.
Se recuperar de um fora é relativo. Depois de serem rejeitados, alguns homens se afastam frustrados e vão xingar ela para os amigos, outros decidem ir embora da festa e, uma terceira parcela, decide virar EMO.
É provável que os homens saibam encarar melhor um fora. Mulheres, em contrapartida, não sabem ouvir não. Para elas, dizer “não” é uma atitude fácil e comum. Está claro que essa facilidade que elas adquiriram é resultado de conhecer nós, homens, melhores que nós mesmos. Quando um homem pergunta “você quer ajuda para carregar isso?”, na verdade significa “você quer ficar comigo?” Se o pneu do carro de uma mulher fura e um homem pergunta “você precisa de alguém para trocar o pneu?”, significa “você quer ficar comigo?”. Até a mais óbvia, como “você não acha que estamos indo rápido demais?”, significa “será que dá pra passar no vermelho antes do caminhão?”. Todavia, se você disser “não” a elas, a situação é um pouco diferente. Durante a festa de aniversário de um amigo, depois de algumas horas conversando à toa com uma antiga conhecida, ela diz:
- Diga um número par de 1 a 3. Se você acertar, pode me beijar.
- Um e três.
Conforme o treinamento básico de ser uma mulher, ela procurou ainda nervosa uma satisfação:
- Porquê? Você é gay? Virou gay?! Se for isso, tudo bem.
- Não, eu não sou e não virei. Olha, vamos ser só amigos, ok?
Provavelmente dizer isso a uma mulher é pior do que lhe dar a resposta que ela gostaria de ouvir. Quando uma mulher dá um fora dizendo “minha vida está complicada demais agora”, significa “eu não quero ficar ouvindo você me ligar cinco vezes por dia como um desesperado.” Quando ela diz “não é você, sou eu”, significa “é você.” Quando ela diz “vamos ser só amigos”, significa “eu quero ter você por perto para falar dos caras que estou saindo e reclamar deles pra você." Por outro lado, quando um homem diz “minha vida está complicada demais agora”, significa “você é feia.” Quando ele diz “não é você, sou eu”, significa “você é feia.” Quando ele diz “vamos ser só amigos”, significa “você é realmente feia.”
Em síntese, levar um fora ou ter medo de ser rejeitado, se encaixa perfeitamente na forma de pensar que nosso cérebro desenvolveu ao longo dos séculos. É inevitável correr o risco de ser rejeitado, e a única coisa que pode ser feita é entender que as outras pessoas pensam de forma dinâmica. As experiências delas mudam e seus estados emocionais também. Só não caia num dos famosos erros de querer uma explicação do por quê de ter levado um fora, xingar a outra pessoa ou, evidentemente, virar EMO.









